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23/Oct/2026

PR: chuvas impactam na qualidade da safra 2026

O excesso de chuvas durante a colheita e a ocorrência de doenças nas lavouras agravaram as perspectivas para a safra de trigo do Paraná, reduzindo a disponibilidade esperada de grãos com qualidade adequada à panificação. Segundo o Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR), o déficit estimado entre a produção estadual e o volume processado pelos moinhos aumentou de 1,6 milhão para cerca de 1,7 milhão de toneladas. O cenário amplia a preocupação com o abastecimento da indústria moageira e com a necessidade de importações para atender à demanda. Em setembro, o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral/Seab) reduziu em 10% a estimativa de produção estadual, para 2,13 milhões de toneladas. Um novo levantamento, previsto para 29 de outubro, deverá atualizar as projeções, com possibilidade de nova redução da safra. No boletim conjuntural divulgado em 15 de outubro, o Deral informou que a avaliação das lavouras ainda pendentes de colheita voltou a piorar.

Dos 182 mil hectares restantes, 12% foram classificados como ruins, 42% como médios e 46% como bons. Na avaliação de setembro, quando ainda havia 392 mil hectares por colher, 7% das lavouras eram consideradas ruins, 29% médias e 64% boas. A mudança indica deterioração das condições das áreas remanescentes, em um contexto de chuvas frequentes que prejudicaram a qualidade dos grãos, inclusive em lavouras com potencial produtivo médio e alto. A previsão meteorológica apontava continuidade das precipitações, com risco de dificultar a conclusão da colheita em condições adequadas. O quadro afeta um dos principais polos da indústria moageira brasileira. O Paraná responde por aproximadamente 30% da produção nacional de farinha de trigo e registra moagem de 3,85 milhões de toneladas por safra. Além da redução da oferta total, a principal preocupação do setor é a disponibilidade de trigo com qualidade compatível com a fabricação de pães e outros produtos de panificação.

No norte do Paraná, a produção estimada para esta safra é de aproximadamente 750 mil toneladas, das quais apenas 400 mil toneladas devem corresponder ao trigo Tipo 1, utilizado na fabricação de produtos de panificação. No ano passado, a região produziu cerca de 900 mil toneladas, com predominância de grãos classificados nessa categoria. Os volumes das regiões de Guarapuava e dos Campos Gerais ainda estão em apuração e serão importantes para dimensionar a oferta estadual de trigo de melhor qualidade. Para uma indústria formada majoritariamente por moinhos voltados à panificação, a disponibilidade estimada no Norte do Estado é considerada insuficiente. A indústria já previa um déficit de abastecimento nesta safra em razão da redução da área plantada com trigo. A deterioração da qualidade e as perdas de produtividade ampliam a dependência de importações, principalmente da Argentina, para atender às necessidades dos moinhos paranaenses.

A maior participação do cereal importado também tende a pressionar as margens industriais, diante dos custos de aquisição, transporte e logística, com possibilidade de repasse de parte dessas despesas aos preços da farinha. Além da disponibilidade no mercado internacional, o setor precisa administrar os desafios operacionais para receber o volume adicional de trigo importado. A movimentação nos portos e o transporte do cereal até as diferentes regiões do Paraná, onde estão instalados os moinhos, exigirão planejamento para evitar dificuldades no fluxo de abastecimento. Os preços do trigo subiram 5% em setembro, em resposta à menor disponibilidade interna, e permaneceram estáveis na primeira quinzena de outubro. Embora o câmbio e a queda das cotações internacionais exerçam pressão baixista, a escassez de trigo de alta qualidade continua sustentando os preços no curto prazo. A combinação entre oferta doméstica limitada e necessidade de importação mantém os custos de aquisição como um fator de atenção para a indústria.

As dificuldades da safra atual também podem afetar as decisões de plantio para o próximo ciclo. As perdas de qualidade e produtividade, somadas aos riscos enfrentados pelos produtores, podem desestimular novos investimentos na cultura e contribuir para uma nova redução da área cultivada no Estado. Diante desse cenário, a entidade pretende apresentar ao próximo governo propostas para ampliar o espaço do trigo na política agrícola nacional. Entre as medidas defendidas estão a criação de um Plano Safra específico para a cultura e de um programa de seguro rural que incentive o plantio e contribua para a viabilidade econômica da atividade. O objetivo é fortalecer a produção doméstica, reduzir a vulnerabilidade do abastecimento e limitar a dependência do mercado externo para atender à demanda da indústria e dos consumidores brasileiros. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.