23/Oct/2026
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) apresentará à equipe de transição do presidente eleito uma pauta de reivindicações para o setor moageiro, com propostas para a formulação de uma política nacional para o trigo. A iniciativa será conduzida após o segundo turno das eleições presidenciais, previsto para domingo, com o objetivo de encaminhar ao novo governo as principais preocupações e demandas da indústria a partir do período de transição. Entre as prioridades estão a criação de uma política nacional para o trigo, a ampliação e melhoria da infraestrutura de armazenagem, o estabelecimento de linhas de crédito específicas para os moinhos, o aprimoramento do ambiente regulatório e o apoio à expansão da cultura no Cerrado. As propostas serão apresentadas em um contexto de mudanças no cenário político brasileiro e de transformações no mercado internacional.
A necessidade de uma política setorial está relacionada às restrições na oferta nacional de trigo. As adversidades climáticas e financeiras enfrentadas pelos produtores brasileiros reduziram a produtividade e comprometeram a qualidade do grão nos Estados da Região Sul. Além disso, existem preocupações quanto à qualidade do trigo produzido na Argentina. Diante desse quadro, a Abitrigo estima que o Brasil poderá registrar o maior volume de importações dos últimos 30 anos, com compras externas que podem atingir ou superar 9 milhões de toneladas para garantir o abastecimento do mercado interno. O setor moageiro também enfrenta pressões decorrentes de conflitos internacionais, especialmente a guerra na Ucrânia e as tensões no Irã. Esses fatores afetam os preços dos fertilizantes e do diesel, além de elevar os custos de frete e seguro marítimo, ampliando as despesas relacionadas à aquisição e ao transporte de matérias-primas.
Para a safra 2026/27, a elevação da carga tributária incidente sobre o trigo importado, a redução de 10% no crédito presumido e o aumento dos custos de insumos e embalagens devem pressionar os custos industriais. A tendência é de repasse de parte dessas despesas aos preços da farinha de trigo e de produtos derivados, como pães e massas, com possíveis efeitos sobre os custos da cadeia de alimentos. A agenda da Abitrigo para o novo governo busca, portanto, ampliar a previsibilidade para a indústria, melhorar as condições de financiamento e armazenagem e estimular a produção nacional, especialmente no Cerrado. As medidas são consideradas relevantes diante da perspectiva de maior dependência das importações e da combinação de restrições na oferta doméstica com aumento dos custos de processamento e abastecimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.