23/Oct/2026
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) pretende estabelecer diálogo com a equipe do candidato que vencer o segundo turno das eleições presidenciais para apresentar as prioridades do setor moageiro ao governo que assumirá em janeiro. A entidade defende que a política para o trigo seja tratada como uma agenda de Estado, com continuidade das ações independentemente da gestão federal, e busca atuar como interlocutora técnica na defesa dos interesses da cadeia produtiva junto aos órgãos decisórios. A articulação com o futuro governo ocorre em um cenário de aumento da dependência externa para o abastecimento nacional. O Brasil deverá importar mais de 9 milhões de toneladas de trigo no ciclo atual, volume equivalente a duas em cada três toneladas consumidas internamente.
As compras externas devem superar em 3 milhões de toneladas a média anual de 6 milhões de toneladas registrada nos últimos cinco anos, representando cerca de R$ 4 bilhões em grãos que o País tem capacidade de produzir internamente. A dimensão das importações amplia as exigências logísticas e financeiras para a indústria. Em 2022, a moagem nacional alcançou 13,275 milhões de toneladas, quando pouco mais da metade do trigo utilizado veio do exterior. Diante do atual patamar de compras externas, o setor precisa ampliar a capacidade de infraestrutura portuária e de armazenagem, além de garantir capital de giro e condições adequadas para operações cambiais. A escala inédita das importações exige coordenação simultânea desses fatores para assegurar o fluxo de matéria-prima e a continuidade do abastecimento.
Para lidar com as oscilações da produção agrícola, do câmbio e da legislação, a Abitrigo estabelece três diretrizes prioritárias: antecipar discussões regulatórias e tributárias, estimular o aumento da produção nacional e integrar os interesses da indústria de moagem aos dos produtores rurais. A entidade considera que a indústria e a agricultura são elos complementares da cadeia e que o trigo nacional e o importado cumprem funções conjuntas no abastecimento brasileiro. A estratégia busca ampliar a previsibilidade para os agentes do setor e fortalecer a coordenação entre produção, processamento e comércio exterior. Com importações projetadas acima de 9 milhões de toneladas, a agenda inclui tanto a adequação da infraestrutura e das condições financeiras quanto medidas para ampliar a oferta doméstica, reduzindo a exposição do País às necessidades de aquisição de trigo no mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.