23/Oct/2026
O início da colheita de trigo da safra 2026/27 na Argentina indica melhora na qualidade e no teor de proteína em relação ao ciclo anterior, favorecida pela normalização do uso de fertilizantes e por condições climáticas favoráveis. A produção está estimada em 24 milhões de toneladas, ante 27 milhões de toneladas colhidas na safra passada. As primeiras análises laboratoriais apontam parâmetros compatíveis com as exigências da indústria moageira brasileira, com teor de proteína superior a 11%. A melhora na qualidade é atribuída à redução recente dos preços dos fertilizantes, que permitiu manejo mais adequado das lavouras, além da boa umidade do solo e das condições climáticas durante a primavera. Na safra anterior, apesar do volume recorde de 27 milhões de toneladas, a qualidade do cereal ficou abaixo do esperado, em um contexto de custos elevados dos insumos e adversidades climáticas.
Os resultados iniciais das análises realizadas pela Câmara Arbitral da Bolsa de Cereais de Buenos Aires confirmam a evolução dos parâmetros de qualidade. Os primeiros 200 caminhões de trigo recém-colhido avaliados na província de Chaco, no nordeste argentino, apresentaram teor médio de proteína de 11,8%. Em Santiago del Estero, na região centro-norte do país, o índice alcançou 12%. Os resultados reforçam a expectativa de maior adequação do cereal argentino às necessidades dos moinhos brasileiros. Além do teor de proteína, as avaliações iniciais não identificaram registros de doenças fúngicas ou contaminação por micotoxinas, incluindo a desoxinivalenol (DON), nas áreas produtoras. A ausência dessas ocorrências contribui para as perspectivas de qualidade da safra e para o atendimento às especificações exigidas pelos compradores.
Na província de Córdoba, a segunda maior produtora de trigo da Argentina, a qualidade também voltou aos patamares históricos, após a deterioração observada no ciclo anterior em decorrência dos custos dos insumos e das condições climáticas adversas. A recuperação dos indicadores aumenta a expectativa de valorização comercial do cereal em função de suas características qualitativas. A perspectiva de melhora na proteína e na qualidade industrial poderá favorecer o abastecimento dos moinhos brasileiros, que utilizam o trigo argentino como uma das principais fontes externas de matéria-prima. Entretanto, a produção projetada de 24 milhões de toneladas representa redução de 3 milhões de toneladas em relação à safra anterior, o que mantém o volume disponível como fator relevante para o mercado regional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.