20/Oct/2026
As chuvas em importantes regiões produtoras de trigo têm dificultado a colheita e comprometido a qualidade do cereal nacional. Nesse contexto, em outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) manteve praticamente estável a previsão de produção total brasileira em relação a setembro, mas reduziu as estimativas para São Paulo e Goiás. O maior corte em volume ocorreu no estado de São Paulo, onde parte do trigo colhido não atendeu aos requisitos de qualidade para comercialização. Quanto ao mercado, a oferta restrita de trigo tipo 1 e a valorização do dólar sustentaram as cotações no mercado de lotes, mesmo diante da queda dos preços internacionais. A produção nacional foi estimada em 5,73 milhões de toneladas, 0,08% abaixo da previsão de setembro e 27,2% inferior à de 2025. A área cultivada deve somar 1,93 milhão de hectares, e a produtividade média, 2.973 Kg/ha, com quedas anuais de 21,1% e de 7,6%, respectivamente.
Em São Paulo, a previsão de produção passou de 351,1 mil para 341,8 mil toneladas, recuo de 2,65% em relação a setembro, reflexo da redução da produtividade estimada, de 3.053 Kg/ha para 2.972 Kg/ha. Se confirmado, o volume será o menor desde 2022. As lavouras ainda em campo aguardam condições climáticas favoráveis para a conclusão da colheita. Em Goiás, a estimativa de produção caiu 1,80% de setembro para outubro, para 147,6 mil toneladas, uma vez que a doença fúngica brusone e as chuvas fora de época no fim do ciclo prejudicaram os rendimentos nas áreas irrigadas. Esses cortes foram parcialmente compensados por revisões positivas no Paraná (+0,22%), em Minas Gerais (+0,48%) e em Mato Grosso do Sul (+0,82%). No caso paranaense, onde parte das lavouras ainda está em campo, o ajuste refletiu o aumento de 0,22% na área estimada.
Segundo a Conab, até 9 de outubro, 40,3% da área nacional havia sido colhida, avanço semanal de 3,9% e acima dos 35,1% registrados no mesmo período da temporada anterior. Os trabalhos já foram concluídos em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul e seguem em São Paulo (65%), na Bahia (50%) e em Santa Catarina (3,2%). No Rio Grande do Sul, a colheita atingiu 9% da área até 15 de outubro, avanço semanal de 5%, ante 4% no mesmo período de 2025, segundo a Emater-RS. As chuvas, contudo, interromperam os trabalhos, e a maior umidade dos grãos elevou os custos de secagem e de beneficiamento. Quanto ao desenvolvimento, 47% das lavouras estavam em enchimento de grãos, 40%, em maturação, 3%, em floração e 1% estava em desenvolvimento vegetativo. No Paraná, 75% da área havia sido colhida até 13 de outubro, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab).
Nas lavouras remanescentes, 46% estavam em boas condições, 42%, em condições médias e 12%, em situação ruim. As chuvas e a elevada umidade dificultam a colheita e comprometem a qualidade dos grãos, o que aumenta a possibilidade de redução da estimativa estadual de produção, cuja atualização está prevista para 29 de outubro. Com a oferta restrita de trigo de qualidade, a necessidade de compras externas segue elevada. A Conab manteve a previsão de importações em 7,06 milhões de toneladas para 2026, volume 15,1% superior ao de 2025, e a de consumo interno, em 12 milhões de toneladas. Os estoques finais foram revisados para 1,06 milhão de toneladas, quedas de 0,45% em relação ao levantamento anterior e de 39,8% na comparação anual. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam ritmo mais intenso de compras neste início de outubro: nos sete primeiros dias úteis do mês, as importações somaram 200,33 mil toneladas, com média diária de 28,62 mil toneladas, 17,8% acima da registrada em outubro de 2025.
O preço médio de importação foi de US$ 256,30 por tonelada, alta de 12,7% na mesma comparação. Nos últimos sete dias, as cotações do trigo no mercado de lotes (negociações entre empresas) têm alta de 0,73% no Rio Grande do Sul, 1,41% em Santa Catarina e 0,79% no Paraná, mas recuo em São Paulo (-0,15%). No mercado de balcão (preço pago ao produtor), os valores apresentam queda de 0,21% no Paraná e 0,24% no Rio Grande do Sul e praticamente estáveis em Santa Catarina (+0,08%). A sustentação dos preços no mercado de lotes está atrelada à oferta restrita de trigo tipo 1 e à valorização do dólar frente ao Real, movimento que tende a encarecer a reposição com cereal importado. Em sentido contrário, a queda das cotações internacionais exerce pressão sobre o mercado brasileiro. Moinhos, por sua vez, aguardam a intensificação da colheita no Rio Grande do Sul, na expectativa de maior disponibilidade de produto e de possíveis recuos nos preços.
Os contratos futuros de trigo recuaram nos Estados Unidos, pressionados pelo fraco desempenho das exportações norte-americanas. Na Bolsa de Chicago, o contrato de primeiro vencimento (Dez/26) do trigo Soft Red Winter registra recuo de 1,6% nos últimos sete dias, a US$ 6,60 por bushel (US$ 242,69 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato de mesmo vencimento do trigo Hard Red Winter Tem recuou de 2,1%, para US$ 7,04 por bushel (US$ 258,68 por tonelada). Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas externas da safra 2026/27 somaram 319,9 mil toneladas na semana encerrada em 8 de outubro, queda de 29% em relação à semana anterior. No acumulado do ano comercial, totalizaram 10,4 milhões de toneladas, 32,5% abaixo do registrado no mesmo período da temporada passada.
As perdas, no entanto, foram limitadas pelo atraso na semeadura do trigo de inverno nos Estados Unidos e pelas preocupações com os embarques pelo Mar Negro. Até 11 de outubro, o plantio havia atingido 51% da área prevista, contra 36% na semana anterior e 58% na média dos últimos cinco anos, segundo o USDA. Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia registram alta de 1,2% no mesmo período, para US$ 254,00 por tonelada. No campo, chuvas recorrentes e a elevada umidade atrasam o início da colheita no norte agrícola do país. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 58% da área está em espigamento ou em estádios posteriores, avanço semanal de 11,8%. Embora 90% das lavouras apresentem boa disponibilidade hídrica, a baixa radiação solar nas fases críticas gera preocupação quanto à produtividade. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.