19/Oct/2026
O mercado brasileiro de trigo permanece firme, com forte disputa por lotes de melhor qualidade. A persistência das chuvas nas principais regiões produtoras do Sul prejudica as lavouras em fase de maturação e colheita, comprometendo parâmetros comerciais como peso hectolitro (PH), Falling Number (índice de queda) e taxa de germinação. Com a oferta de trigo nacional tipo 1 cada vez mais restrita, a indústria moageira mantém atuação constante no mercado disponível para garantir o abastecimento de grãos com padrão panificação. Para isso, recorre inclusive a estoques remanescentes da safra velha do Rio Grande do Sul, enquanto aguarda a chegada do produto argentino no fim do ano. O mercado brasileiro passou a priorizar a disponibilidade de trigo com qualidade industrial, em detrimento do volume total produzido. Outro fator de sustentação dos custos do cereal importado é a alta dos fretes marítimos com origem na Argentina, cotados entre US$ 29,00 e US$ 32,00 por tonelada para os portos das Regiões Sul e Sudeste. Esse encarecimento ocorre apesar da expectativa de uma safra expressiva no país vizinho, estimada em até 24 milhões de toneladas, segundo projeções da Bolsa de Cereais de Buenos Aires.
No Paraná, na região de Guarapuava, a escassez de grãos de primeira linha elevou em até R$ 70,00 por tonelada os preços. Os moinhos buscam ativamente trigo tipo 1 e aceitam lotes da safra velha do Rio Grande do Sul que ainda preservam padrão tecnológico. As indicações de compra das indústrias paranaenses para o trigo pão disponível variam de R$ 1.650,00 a R$ 1.700,00 por tonelada CIF, enquanto os vendedores com produto de qualidade mantêm pedidas firmes entre R$ 1.600,00 e R$ 1.650,00 por tonelada FOB. No mercado de trigo importado, o produto argentino disponível está cotado a US$ 325,00 por tonelada no Porto de Paranaguá. Os contratos da safra nova, com embarque previsto para dezembro, são negociados entre US$ 315,00 e US$ 320,00 por tonelada.
No Rio Grande do Sul, a comercialização do trigo da safra anterior permanece travada pela diferença entre os preços de compra e venda. Os compradores sustentam indicações de R$ 1.550,00 por tonelada FOB, enquanto os produtores pedem entre R$ 1.600,00 e R$ 1.650,00 por tonelada FOB. Para a safra nova, os moinhos do interior demonstram disposição para absorver todos os lotes colhidos que apresentem padrão de moagem. As cotações permanecem estáveis em R$ 1.400,00 por tonelada FOB, valor alinhado às pedidas dos vendedores. A colheita estadual, entretanto, avança lentamente em razão das condições climáticas. Dados divulgados pela Emater-RS indicam que os trabalhos alcançaram 9% da área plantada, ante 4% na semana anterior. O trigo importado previsto para chegar da Argentina entre novembro e dezembro está cotado a US$ 305,00 por tonelada CIF no Porto de Rio Grande e a US$ 311,00 por tonelada CIF em Canoas. A combinação entre perdas de qualidade nas lavouras brasileiras, oferta restrita de trigo com padrão industrial e custos elevados de transporte mantém a disputa pelos lotes de melhor qualidade e sustenta as cotações no mercado interno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.