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15/Oct/2026

Chuvas no Sul devem ampliar prêmio por qualidade

Segundo o Itaú BBA, o mercado global de trigo deve apresentar balanço de oferta e demanda mais ajustado na safra 2026/27, enquanto, no Brasil, o avanço da colheita ocorre sob risco de perdas de qualidade em razão das chuvas frequentes na Região Sul. O cenário tende a aumentar a disputa entre os moinhos por lotes de melhor padrão industrial e ampliar os diferenciais de preços por qualidade. Após duas temporadas de ampla oferta, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima a produção mundial de trigo em 822,39 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 3% em relação ao ciclo anterior e volume inferior ao consumo projetado, de 827,9 milhões de toneladas. Os estoques finais globais devem alcançar 276,04 milhões de toneladas, recuo de 2%, indicando menor disponibilidade relativa do cereal no mercado internacional. A redução da produção reflete quebras nas principais regiões exportadoras.

Nos Estados Unidos, a estimativa é de 41,74 milhões de toneladas, queda de 23%. Na União Europeia, a produção deve atingir 133 milhões de toneladas, recuo de 8%. Para a Austrália, a projeção é de 31 milhões de toneladas, diminuição de 14%; para o Canadá, 36,5 milhões de toneladas, redução de 10%; e, para a Argentina, 21,5 milhões de toneladas, queda de 23%. No mercado internacional, a escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia e as restrições ao escoamento de grãos pelo Mar Negro e pelo Mar de Azov ampliaram a volatilidade das cotações. A utilização de rotas alternativas pelo Mar Báltico permitiu correções pontuais dos preços, mas as incertezas logísticas continuam influenciando a formação das cotações. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicou que 40,3% da área cultivada com trigo estava colhida até 9 de outubro. A produção nacional é estimada em 5,8 milhões de toneladas, diante de consumo de 12 milhões de toneladas.

Para atender à demanda interna, a necessidade de importação está projetada em 7,1 milhões de toneladas em 2026. O principal fator de risco para a safra brasileira é o excesso de chuvas na Região Sul, maior região produtora do País. A frequência das precipitações aumenta a exposição das lavouras a doenças de espiga e pode comprometer parâmetros de qualidade relevantes para a indústria moageira, como peso hectolitro (PH), germinação e força de glúten. A deterioração desses atributos pode reduzir a proporção de trigo adequado às exigências dos moinhos e ampliar a diferença de preços entre lotes de qualidade distinta. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda está no início, com a maior parte das lavouras nas fases de enchimento de grãos e maturação, o que mantém a produção exposta às condições climáticas das próximas semanas. No Paraná, os trabalhos estão mais adiantados.

Em São Paulo, a colheita apresenta atraso em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul já concluíram as operações. A Argentina permanece como a principal alternativa de abastecimento para o Brasil. No início de outubro, 91% das lavouras argentinas apresentavam condições hídricas adequadas ou ótimas, e 64% estavam classificadas como boas ou excelentes. Essas condições oferecem suporte ao desenvolvimento da safra e podem contribuir para limitar pressões generalizadas de alta sobre os preços brasileiros, apesar dos riscos de qualidade associados às chuvas no Sul. O mercado doméstico deve, portanto, apresentar comportamentos distintos conforme a qualidade do trigo disponível e a região de origem. Enquanto a oferta global mais restrita pode sustentar as cotações internacionais, as condições da colheita brasileira tendem a determinar os diferenciais pagos pelos moinhos. A disponibilidade de trigo argentino e a evolução do clima no Sul serão fatores decisivos para o equilíbrio entre abastecimento, qualidade industrial e preços no País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.