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14/Oct/2026

Brasil: importação pressionará margens de moinhos

A indústria moageira brasileira deverá importar 7,1 milhões de toneladas de trigo no ano-safra 2026/27, o maior volume desde 2006/07, diante da redução da produção nacional. A necessidade de compras externas ocorre em um cenário de preços internacionais elevados, volatilidade cambial associada ao ano eleitoral e possibilidade de aumento dos prêmios por qualidade do cereal argentino, fatores que podem pressionar os custos de aquisição da matéria-prima e reduzir as margens dos moinhos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta a produção brasileira de trigo em 5,8 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 26,2% em relação à temporada anterior.

A área plantada deve recuar para 1,95 milhão de hectares. A redução da superfície cultivada está relacionada aos custos elevados dos fertilizantes no primeiro semestre, principalmente dos nitrogenados. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade e a previsão de chuvas durante a colheita também representam riscos à produtividade e à qualidade dos grãos. Além da menor oferta doméstica, a qualidade do trigo disponível no mercado internacional constitui um fator adicional de incerteza para a indústria. A Argentina, principal fornecedora do Brasil, produziu cerca de 23,4 milhões de toneladas do cereal na safra 2025/26. Entretanto, as chuvas intensas associadas ao fenômeno El Niño durante a colheita podem comprometer a qualidade de parte da produção.

Uma menor disponibilidade de trigo de alto padrão tende a elevar os prêmios cobrados pelo cereal argentino, aumentando o custo das importações brasileiras. A combinação de menor produção nacional, maior necessidade de abastecimento externo e possíveis restrições de qualidade amplia a exposição dos moinhos às condições do mercado internacional. Preços externos elevados e oscilações cambiais podem encarecer a reposição dos estoques, enquanto os prêmios por qualidade aumentam o custo dos lotes com especificações adequadas às necessidades industriais. O comportamento desses fatores será determinante para a formação dos custos da moagem e para as margens do setor ao longo de 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.