14/Oct/2026
O redirecionamento das exportações de grãos da Ucrânia por ferrovias em direção ao oeste e pelo corredor do Rio Danúbio tem permitido a manutenção parcial dos embarques, mas não compensa as interrupções provocadas pelos ataques russos no Mar Negro. Segundo relatório do Goldman Sachs, o porto romeno de Constança se consolidou como alternativa para o escoamento da produção, embora as exportações ucranianas de trigo em agosto e setembro tenham ficado cerca de 50% abaixo da média registrada entre 2022 e 2025. Há aumento dos riscos para os embarques de milho, diante da aceleração sazonal das exportações a partir de outubro. As rotas alternativas permanecem expostas aos efeitos do conflito. Ataques recentes contra embarcações comerciais nas proximidades da Romênia e da Bulgária indicam que os riscos de segurança podem se estender ao corredor do sul do Mar Negro, utilizado para redirecionar parte das cargas ucranianas. Dessa forma, a diversificação logística reduz parcialmente a dependência das rotas tradicionais, mas não assegura a continuidade dos fluxos comerciais.
Desde o início de julho, os preços internacionais do trigo e do milho avançaram cerca de 12% e 15%, respectivamente, em meio à intensificação dos ataques contra terminais de exportação e embarcações comerciais. Rússia e Ucrânia respondem, conjuntamente, por aproximadamente 30% das exportações globais de trigo e 16% das de milho, participação que torna o mercado internacional particularmente vulnerável a interrupções logísticas na região. Os impactos são relevantes para o Egito, a Turquia e outros países importadores do Mediterrâneo e do Oriente Médio, que dependem de cargas de grande porte provenientes do Mar Negro. As alternativas ferroviárias via Polônia e os corredores de exportação pelos países bálticos apresentam menor eficiência logística, o que pode elevar os custos de transporte e os preços finais dos grãos. Esse encarecimento amplia os riscos de pressão inflacionária sobre os alimentos, especialmente nos países mais dependentes das importações da região.
As dificuldades de escoamento também podem afetar as decisões de plantio da próxima safra de trigo de inverno. Caso volumes relevantes de grãos russos e ucranianos permaneçam retidos nos mercados internos, os preços locais poderão recuar mesmo diante da valorização das cotações internacionais. A redução da receita dos produtores pode limitar a capacidade de investimento e a aquisição de insumos, comprometendo as decisões de plantio e elevando os riscos para a oferta futura. O cenário mantém a logística e a segurança das rotas de exportação como fatores centrais para a formação dos preços internacionais. Mesmo que os embarques sejam normalizados no médio prazo, eventuais perdas de rentabilidade dos produtores e ajustes na área plantada poderão prolongar os efeitos do conflito sobre a disponibilidade global de trigo e milho. A intensidade desses impactos dependerá da evolução dos ataques, da capacidade operacional das rotas alternativas e da recuperação dos fluxos comerciais pelo Mar Negro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.