14/Oct/2026
Dados da Nielsen indicam recuperação da indústria cervejeira no Brasil no terceiro trimestre de 2026, após retração no trimestre anterior. Em agosto, os volumes comercializados cresceram 4,5% em relação ao mesmo mês de 2025, após alta de 3,6% em julho. Com isso, o crescimento acumulado de julho e agosto alcançou 4,0%, revertendo a queda de 1,3% registrada no segundo trimestre. Observa-se melhora do desempenho do setor, embora a consolidação dos resultados trimestrais ainda dependa dos dados de setembro. As condições climáticas foram um fator relevante para o comportamento do consumo no período. Julho e agosto registraram temperaturas acima da média, favorecendo a comercialização de cerveja, enquanto o clima mais frio e úmido em setembro pode ter limitado os volumes. Em 2026, as vendas ao consumidor final, medidas pelo indicador sell-out da Nielsen, têm ficado geralmente abaixo das vendas das cervejarias ao varejo, ou sell-in.
Essa diferença pode indicar condições de demanda mais favoráveis do que as sugeridas exclusivamente pelos dados da Nielsen, em parte devido ao desempenho dos canais de consumo fora de casa, conhecidos como on-trade. Nesse cenário, a Ambev apresenta desempenho superior ao da indústria. No acumulado de julho e agosto, os volumes da companhia avançaram 5,6%, superando em 1,6% o crescimento de 4,0% registrado pelo setor no mesmo período. A evolução reflete a contribuição de diferentes segmentos do portfólio, com destaque para a recuperação da linha Core e o avanço das marcas Premium. A linha Core da Ambev voltou a apresentar crescimento, com alta de 1,9% no acumulado do terceiro trimestre até agosto, revertendo a retração de 1,7% observada no segundo trimestre. Apesar da recuperação, a concorrência permanece intensa, com destaque para o crescimento de 17,9% nos volumes da marca Amstel. O segmento Premium continua sendo um dos principais diferenciais competitivos da companhia.
Os volumes dessa categoria na Ambev cresceram 15,9%, ante avanço de 7,1% no portfólio Premium da Heineken. Em agosto, as marcas Stella Artois, Original e Corona registraram altas de 58,5%, 24,1% e 28,2%, respectivamente. Com esse desempenho, a participação dos produtos Premium no mix da Ambev aumentou 255 pontos-base em relação ao mesmo período do ano anterior. A melhora dos indicadores da Nielsen também encontra respaldo nos dados de produção industrial. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de bebidas alcoólicas ficou 5,4% acima do nível registrado um ano antes no acumulado do terceiro trimestre de 2026 até agosto. O indicador reforça os sinais de recuperação da atividade, embora produção e vendas representem etapas distintas da cadeia e possam apresentar diferenças de comportamento. A perspectiva para o setor dependerá da sustentação da demanda após o período de temperaturas elevadas, das condições climáticas e da evolução da concorrência entre as marcas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.