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13/Oct/2026

Preços do trigo estão firmes no mercado doméstico

O mercado físico brasileiro de trigo permanece firme, com preocupação crescente sobre a disponibilidade de grãos com padrão tecnológico adequado para moagem. As precipitações elevadas registradas entre setembro e a primeira semana de outubro na Região Sul do Brasil prejudicaram a qualidade das lavouras e reduziram a oferta de trigo Tipo 1. Com parte relevante da produção enquadrada como trigo forrageiro ou nas categorias Tipo 2 e Tipo 3, a indústria moageira tem flexibilizado os critérios de recebimento e ampliado a atenção ao abastecimento com a nova safra da Argentina, cuja chegada é esperada na virada do ano. A redução da disponibilidade de trigo para panificação tornou-se um dos principais gargalos da safra 2026/2027. A disputa por lotes de maior qualidade tende a se intensificar até a entrada efetiva do produto argentino no mercado brasileiro. O planejamento logístico para novembro e o início de dezembro também é considerado relevante, uma vez que a transição entre a oferta doméstica e o abastecimento importado poderá enfrentar limitações operacionais nos portos brasileiros e argentinos.

No Paraná, na região de Ponta Grossa, a umidade elevada durante o período de maturação e colheita rebaixou o padrão tecnológico dos grãos. As chuvas recorrentes prejudicaram lavouras que já estavam prontas para a colheita, enquanto a comercialização da safra velha está praticamente encerrada no Paraná. Para lotes de trigo Tipo 1, os produtores indicam R$ 1.600,00 por tonelada FOB. Os moinhos aceitam negociar nesse nível, mas a retração dos vendedores, que aguardam novas altas, limita a disponibilidade de produto. Para matérias-primas de qualidade inferior, as indústrias compram trigo Tipo 2 a R$ 1.450,00 por tonelada CIF e Tipo 3 a R$ 1.300,00 por tonelada CIF, com o objetivo de avaliar a qualidade e a possibilidade de composição de misturas para moagem. No mercado externo, a escassez de ofertas de trigo paraguaio mantém as referências de desembarque nos portos próximas de US$ 300,00 por tonelada CIF.

No Rio Grande do Sul, na região de Ijuí, o mercado apresenta comportamentos distintos entre o trigo da safra velha e o da nova temporada. A comercialização dos lotes antigos segue lenta, diante de pedidas dos vendedores em torno de R$ 1.600,00 por tonelada FOB. Os moinhos reajustaram suas indicações para R$ 1.550,00 por tonelada FOB, acompanhando o recuo pontual do dólar na semana anterior. Para o trigo novo, a procura no mercado disponível do interior é intensa, com as indústrias demonstrando interesse em absorver os volumes das poucas áreas que já iniciaram a colheita. Nesse segmento, as negociações ocorrem em torno de R$ 1.400,00 por tonelada FOB, valor que aproxima as pedidas dos produtores das indicações dos compradores. A preocupação com os efeitos das chuvas sobre os índices de peso hectolitro (PH) e falling number, indicador relacionado à atividade enzimática do grão, também reduziu a liquidez das negociações voltadas à exportação da nova safra.

Até o momento, não há demanda ativa por trigo que atenda aos padrões exigidos para moagem, refletindo a incerteza sobre a qualidade efetivamente disponível após a colheita. Para o trigo argentino, a expectativa é de chegada de navios entre novembro e dezembro. As referências de preços estão em US$ 304,00 por tonelada CIF no Porto de Rio Grande (RS) e US$ 310,00 por tonelada CIF em Canoas (RS). A entrada desses volumes será importante para recompor a oferta destinada à indústria moageira, especialmente de trigo com características tecnológicas adequadas à panificação. Até a regularização do fluxo importado, a combinação entre a redução da oferta doméstica de melhor qualidade, a resistência dos vendedores e as limitações logísticas tende a manter a atenção do mercado concentrada na disponibilidade e nos diferenciais de preço entre os tipos de trigo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.