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13/Oct/2026

Trigo: menor oferta no Mar Negro não sustenta alta

A redução dos embarques de trigo da Rússia e da Ucrânia continua restringindo a oferta disponível no mercado internacional, mas ainda não é suficiente para sustentar uma recuperação consistente dos preços. Segundo a Stag International, desde julho, as exportações dos dois países recuaram quase 8 milhões de toneladas em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto outros grandes exportadores ampliaram os embarques em apenas cerca de 4 milhões de toneladas. A diferença indica que os compradores podem estar postergando aquisições, recorrendo a fornecedores alternativos ou substituindo o trigo por milho, sem uma migração expressiva da demanda para outras origens. Na Ucrânia, as exportações de grãos somaram 1,49 milhão de toneladas em setembro, queda de 36,6% ante igual mês de 2025.

Desse total, 1,09 milhão de toneladas corresponderam ao trigo, volume inferior aos 2,05 milhões de toneladas embarcados em setembro do ano passado. As exportações ucranianas de alimentos atingiram 2,44 milhões de toneladas no mês, equivalente a apenas 46% da capacidade potencial de embarque. O escoamento ucraniano continua dependendo de ferrovias e rodovias europeias e dos portos do Rio Danúbio, rotas que não compensam integralmente a perda de capacidade dos terminais de águas profundas na região de Odessa. As autoridades do país estimam que essas alternativas permitem movimentar apenas 45% a 50% dos volumes necessários para as exportações. A ampliação do trânsito de produtos ucranianos também enfrenta resistência da Polônia e da Romênia, em razão de limitações de infraestrutura e da proteção aos produtores locais.

Na Rússia, o redirecionamento de cargas para portos do Mar Báltico reduziu parcialmente os gargalos logísticos, mas ainda não compensou a diminuição dos embarques pelos terminais do sul do país. Desde julho, as exportações russas de trigo estão quase 6 milhões de toneladas abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Diante desse cenário, a Stag reduziu suas projeções de embarques para outubro e novembro e mantém uma perspectiva de baixa para os preços nos meses de novembro e dezembro, refletindo a ausência de uma reação consistente da demanda. As alternativas logísticas russas também estão expostas a riscos políticos. A Estônia proibiu o trânsito de grãos russos e bielorrussos, enquanto a Lituânia pretende solicitar a adoção de uma proibição em toda a União Europeia, com apoio da Letônia. Caso a restrição seja ampliada para o bloco, a capacidade de escoamento da Rússia poderá diminuir ainda mais, reforçando o prêmio geopolítico incorporado às cotações internacionais do trigo.

Entre os grandes fornecedores, o Canadá se destaca pelo aumento dos embarques. As exportações acumuladas até setembro alcançaram o recorde de 3,85 milhões de toneladas, quase 3 milhões de toneladas acima do volume registrado no mesmo período do ano passado. Em contrapartida, os dados disponíveis para Austrália e Europa ainda não indicam aceleração suficiente para compensar a redução da oferta do Mar Negro. A Stag busca confirmar os números australianos de setembro, diante de informações preliminares que apontam crescimento de aproximadamente 40% na comparação anual. Nos Estados Unidos, a demanda externa ainda não apresentou reação expressiva à redução da disponibilidade de trigo russo e ucraniano. A Stag revisou para baixo suas projeções de exportação norte-americana para o quarto trimestre, após o registro de vendas semanais fracas.

Os embarques dos Estados Unidos não apresentam crescimento relevante em relação ao ano passado, enquanto as vendas continuam sem sinais consistentes de aceleração. Esse comportamento limita a capacidade de o mercado norte-americano absorver a demanda potencialmente deslocada do Mar Negro. Mesmo com a redução da oferta, os preços futuros do trigo não encontraram sustentação suficiente para uma trajetória consistente de alta. As cotações ainda incorporam um prêmio associado à menor disponibilidade no Mar Negro, mas precisam permanecer competitivas para estimular novas aquisições. A relação entre os preços do trigo e do milho continua elevada, indicando que o mercado reconhece a escassez relativa do cereal. Entretanto, a queda recente dos contratos futuros sugere que a restrição de oferta ainda não provocou aumento suficiente da demanda por fornecedores alternativos.

As perspectivas para a próxima safra também acrescentam um componente de risco ao balanço global. Relatos indicam que a área de trigo de inverno da Ucrânia poderá diminuir 17% em 2027, o que representaria uma redução potencial de aproximadamente 2 milhões de toneladas na produção. A Stag pondera, contudo, que estoques internos mais elevados poderão compensar parte desse efeito sobre o volume disponível para exportação. O cenário internacional permanece condicionado à combinação entre restrições logísticas, riscos geopolíticos e comportamento da demanda. A redução dos embarques da Rússia e da Ucrânia limita o espaço para quedas mais acentuadas das cotações, mas a sustentação de uma tendência de alta dependerá da confirmação de que a menor disponibilidade nesses países está efetivamente deslocando compradores para os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália e outras origens. Enquanto essa transferência de demanda não se consolidar, a oferta global mais restrita, isoladamente, tende a ser insuficiente para sustentar uma recuperação duradoura dos preços futuros do trigo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.