06/Oct/2026
A colheita de trigo avança no Brasil, mas os resultados desta safra têm decepcionado o mercado, sobretudo quanto à qualidade do cereal. O excesso de umidade ao longo do ciclo resultou em aumento da oferta de trigos tipos 2 e 3, com pH reduzido, e em diminuição na disponibilidade de trigo tipo 1. Com menor oferta de cereal dentro dos padrões de qualidade demandados, vendedores que ainda dispõem de bons volumes têm elevado os preços de suas ofertas. Em São Paulo, há registros de que trigo de menor qualidade vem sendo direcionado à produção de ração animal. No Paraná, a oferta de trigo com PH 78 também recuou, levando moageiras a buscar produto importado para manter a qualidade dos derivados destinados à panificação. Nesse cenário, nos últimos sete dias, os preços no mercado de lotes (negociação entre empresas) registram avanço de 1,22% em São Paulo, 1% no Paraná e 0,27% no Rio Grande do Sul, enquanto permanecem estáveis em Santa Catarina.
A colheita brasileira segue avançando e se aproxima de um terço da área cultivada. Conforme dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 25 de setembro, 28,9% da área destinada ao cultivo de trigo no Brasil já havia sido colhida. Goiás e Mato Grosso do Sul haviam encerrado os trabalhos, enquanto Minas Gerais estava próxima da finalização, com 99% da área colhida. No Paraná, a colheita atingia 62% da área cultivada, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). Das lavouras ainda no campo, 64% estavam em boas condições, 29% em condições médias e 7% em condições ruins. Quanto ao desenvolvimento, 57% já estavam em maturação, 34% em frutificação, 8% em floração e 1% em desenvolvimento vegetativo. excesso de chuvas tem prejudicado a qualidade do cereal, com relatos de doenças como brusone e outras que se desenvolvem com o aumento da umidade.
No Rio Grande do Sul, conforme dados divulgados da Emater-RS, a oscilação das condições climáticas, com períodos de chuva, nebulosidade e maior exposição ao sol, tem condicionado o desenvolvimento das lavouras. A produtividade segue variável e, em algumas áreas, abaixo do esperado, situação agravada pelas geadas de setembro. Até 1º de outubro, 1% da área já havia sido colhida, enquanto 21% das lavouras estavam em maturação, 57% em enchimento dos grãos, 19% em floração e 2% em desenvolvimento vegetativo. Os futuros de trigo no mercado internacional estão pressionados pelos dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 30 de setembro. A produção de trigo nos Estados Unidos foi estimada em 41,74 milhões de toneladas em 2026, sendo 23% abaixo da de 2025. Quanto aos estoques, o relatório apontou 50,24 milhões de toneladas de trigo em todas as posições em 1º de setembro de 2026.
O volume, que inclui estoques remanescentes de períodos anteriores, é 14% inferior ao registrado na mesma data de 2025, o que limitou as quedas dos preços futuros. Nos últimos sete dias, o contrato Dezembro/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra recuo de 2,9%, cotado a US$ 6,83 por bushel (US$ 250,96 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o mesmo vencimento do trigo Hard Winter tem baixa de 3,5%, cotado a US$ 7,35 por bushel (US$ 270,16 por tonelada). Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia registram recuo de 4,6% nos últimos sete dias, a US$ 251,00 por tonelada. Conforme a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, teve início a colheita de trigo em regiões precoces do norte do país, com produtividades que superam a média histórica. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.