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05/Oct/2026

Moinhos flexibilizam padrão diante da menor oferta

O mercado de trigo acompanha com atenção a qualidade da safra que começa a ser colhida nas principais regiões produtoras do Paraná e do Rio Grande do Sul, diante da redução da oferta de cereal tipo 1. O excesso de umidade nos dois Estados provocou perdas em lavouras próximas da colheita, com impactos sobre o peso hectolitro (PH) e a força de glúten (W). Nesse cenário, a indústria moageira passou a flexibilizar os critérios de recebimento para assegurar o abastecimento, enquanto produtores e vendedores demonstram cautela em relação à comercialização antecipada da safra nova diante do risco de o cereal não atender aos padrões de qualidade previstos nos contratos. No Paraná, na região de Ponta Grossa, as chuvas atingiram áreas em maturação e em processo de colheita.

A permanência de condições úmidas por período prolongado comprometeu parte dos grãos que já estavam prontos no campo, direcionando volume expressivo para a alimentação animal, nas classificações triguilho e tipo 3. Produtores com estrutura própria de armazenagem buscaram reduzir as perdas com a colheita do cereal apresentando teor de umidade entre 28% e 30%, seguida de secagem imediata. A estratégia, porém, foi limitada pela falta de espaço disponível nos silos, muitos dos quais ainda estão ocupados com milho. A redução da disponibilidade de lotes de maior qualidade levou os moinhos a alterar os critérios de compra.

Empresas que anteriormente adquiriam apenas trigo tipo 1 passaram a receber também tipos 2 e 3, utilizando o PH como referência para avaliação e buscando formar mesclas com trigo importado. No mercado disponível do trigo da safra passada no Paraná, os poucos negócios envolvendo tipo 1 ocorrem em torno de R$ 1.600,00 por tonelada FOB, enquanto parte dos vendedores mantém os lotes remanescentes fora do mercado na expectativa de preços mais elevados. Para a safra nova no Paraná, as indicações dos moinhos permanecem próximas de R$ 1.600,00 por tonelada CIF, para entrega imediata e de R$ 1.550,00 por tonelada CIF para entrega em novembro, mas a disponibilidade de produto é limitada. No mercado internacional, o trigo argentino é indicado entre US$ 310,00 e US$ 315,00 por tonelada CIF.

No Rio Grande do Sul, na região de Vacaria, a colheita da nova safra ainda não começou, enquanto os preços do trigo disponível permanecem firmes em razão do baixo volume remanescente. Negócios pontuais para cobertura da transição entre as safras são realizados entre R$ 1.500,00 e R$ 1.550,00 por tonelada FOB, enquanto as pedidas dos vendedores variam de R$ 1.550,00 a R$ 1.600,00 por tonelada FOB. Na ponta compradora, os moinhos indicam preços entre R$ 1.550,00 e R$ 1.600,00 por tonelada CIF. Para o trigo importado da Argentina, as indicações permanecem estáveis em US$ 312,00 por tonelada CIF, para entrega em Porto Alegre, mantendo o abastecimento das indústrias sem alterações relevantes de preço.

A comercialização antecipada da safra nova no Rio Grande do Sul permanece indefinida. Os primeiros lotes retirados do campo apresentam variação no PH e indicam níveis mais baixos de glúten e de força de glúten W, além de ocorrências pontuais de giberela. O quadro aumenta a incerteza sobre o padrão de qualidade que será obtido ao longo da colheita. A previsão de novos temporais no Estado amplia a cautela dos produtores, que demonstram resistência em assumir contratos futuros na faixa de R$ 1.350,00 a R$ 1.420,00 por tonelada FOB, níveis indicados pelos moinhos, diante do risco de a safra colhida não alcançar as especificações exigidas. As indicações de tradings para o trigo da nova safra estão em torno de R$ 1.260,00 por tonelada CIF, patamar que permanece pouco atrativo para os vendedores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.