30/Sep/2026
Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), a dificuldade de Rússia e Ucrânia para escoar trigo pelo Mar Negro tem direcionado compradores para fornecedores alternativos, entre eles a Argentina, mas a existência de um grande volume de grãos represado na região pode pressionar as cotações internacionais caso os embarques sejam normalizados. A estimativa para a produção argentina de trigo na safra 2026/27 foi elevada em 500 mil toneladas, para 21 milhões de toneladas. Rússia e Ucrânia exportaram conjuntamente menos de 1 milhão de toneladas de trigo em setembro, ante quase 9 milhões de toneladas em período comparável, em meio a ataques contra infraestrutura portuária e embarcações. A redução temporária da disponibilidade desses fornecedores retirou do mercado uma parcela relevante da oferta normalmente destinada ao comércio internacional. Países que tradicionalmente compram trigo russo e ucraniano, principalmente no Oriente Médio e na África, passaram a buscar volumes em outras origens, favorecendo fornecedores como a Argentina.
A restrição logística no Mar Negro, entretanto, não representa desaparecimento do produto. Rússia e Ucrânia ainda possuem aproximadamente 109 milhões de toneladas de trigo e milho disponíveis para exportação após o atendimento do consumo doméstico. A manutenção desse volume fora do mercado cria um potencial de aumento rápido da oferta internacional caso o fluxo de embarques seja restabelecido. A normalização das exportações pelo Mar Negro poderia retirar parte da sustentação observada atualmente nas cotações internacionais do trigo, diante da entrada de grandes volumes represados. Por outro lado, a dificuldade de comercialização da safra atual e a menor geração de receita para produtores russos e ucranianos podem afetar as decisões de investimento para o próximo ciclo. A redução da capacidade de geração de caixa pode limitar a aquisição de insumos e o plantio futuro, com possíveis reflexos sobre a oferta das próximas safras. Na Argentina, a estimativa de produção de trigo foi elevada diante das condições favoráveis das lavouras.
Mais de 90% das áreas cultivadas permanecem classificadas entre boas e muito boas. Apesar disso, há sinais de restrição hídrica em algumas regiões. Cerca de 500 mil hectares estão em condição regular em todo o país, enquanto na região núcleo a área nessa condição alcança aproximadamente 160 mil hectares, equivalente a 10% da área cultivada. O comportamento do clima continuará sendo determinante para o potencial produtivo argentino. A projeção é de precipitações 90% acima da média em dezembro na região núcleo, período que coincide com a colheita. O aumento das chuvas pode aliviar a atual deficiência hídrica, mas a distribuição e a intensidade das precipitações serão decisivas para determinar seus efeitos sobre as lavouras e sobre o ritmo da colheita. Nesse cenário, a Argentina ganha espaço como fornecedora alternativa enquanto persistirem as dificuldades logísticas no Mar Negro. A evolução dos embarques de Rússia e Ucrânia, entretanto, continuará sendo um dos principais fatores de influência sobre as cotações internacionais, devido ao potencial de entrada rápida no mercado do volume atualmente represado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.