30/Sep/2026
O Citi projeta retomada do crescimento da indústria de cerveja no Brasil no terceiro trimestre de 2026, com recuperação concentrada em julho e agosto. A expectativa considera condições climáticas mais favoráveis nesses meses, demanda associada ao futebol e uma base de comparação mais baixa, fatores que devem mais do que compensar um setembro menos favorável, marcado por temperaturas mais baixas e chuvas mais intensas, principalmente nas Regiões Sul e Sudeste. A estimativa é de crescimento de cerca de 3% nos volumes da indústria em relação ao terceiro trimestre de 2025, após retração de aproximadamente 1,4% no segundo trimestre de 2026. Para a Ambev, a projeção é de crescimento de aproximadamente 5,5% nos volumes de cerveja no Brasil no terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, após expansão de 5,0% no segundo trimestre. O desempenho superior ao da indústria é atribuído à continuidade dos ganhos de participação de mercado, ao desempenho mais forte no canal de consumo fora do lar e a efeitos de calendário no sell-in.
Parte da demanda relacionada ao futebol no início do terceiro trimestre teria sido antecipada e atendida por meio do abastecimento realizado em junho. Em preços, o Citi mantém como premissa reajustes próximos à inflação, complementados por efeitos de mix. As leituras mais recentes indicam inflação de aproximadamente 5,5% para a cerveja consumida em casa e de cerca de 4,0% para o consumo fora de casa. Com a combinação entre preços e volumes, a expectativa é de melhora significativa da dinâmica de receita da categoria no Brasil no terceiro trimestre, com participação crescente da recuperação da indústria na evolução dos resultados da Ambev. No lado dos custos, a projeção é de redução sequencial da pressão sobre o custo dos produtos vendidos (COGS) no segundo semestre de 2026. A estimativa permanece dentro da faixa de crescimento de 4,5% a 7,5% do COGS por hectolitro em caixa para o ano.
Em contrapartida, a comparação das despesas operacionais deve ser mais desafiadora, em razão de uma base mais favorável no segundo semestre de 2025, quando houve menores provisões relacionadas à remuneração variável e menores despesas de distribuição. As despesas com vendas e marketing também devem permanecer elevadas, refletindo campanhas associadas ao futebol realizadas entre o segundo e o terceiro trimestres. Nesse cenário, a expectativa é de melhora mais moderada do Ebitda, mesmo com a combinação de recuperação dos volumes, evolução de preços e menor pressão sequencial sobre os custos. A principal mudança esperada para o terceiro trimestre é a reversão do comportamento da indústria de cerveja, com a recuperação da categoria passando a contribuir de forma mais relevante para o crescimento da Ambev. O banco mantém recomendação neutra para as ações da companhia e preço-alvo de R$ 16,50, que representa potencial de valorização de 8,6% em relação ao último fechamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.