29/Sep/2026
Agentes estão preocupados com a possível menor oferta de trigo de boa qualidade, visto que isso pode aumentar a dependência do Brasil das compras externas, além de elevar as cotações domésticas. A baixa disponibilidade continua atrelada às incertezas sobre os resultados da safra de 2026, diante das condições observadas em campo. O clima desfavorável vem reduzindo a qualidade, o que pode diminuir também a produtividade. Esse cenário, aliado à valorização do cereal no mercado externo na parcial do mês tem sustentado os preços domésticos. Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), as altas são de 2,35% no Rio Grande do Sul, de 1,04% em Santa Catarina e de 0,36% no Paraná. No mercado de lotes (negociação entre empresas), os preços registram avanço de 2,66% no Rio Grande do Sul, 2,33% em São Paulo, 2,3% em Santa Catarina e 1,64% no Paraná.
Na parcial de setembro, o preço médio do trigo no Paraná é de R$ 1.496,47 por tonelada, avanços de 4,7% em relação a agosto/26 e de 9,7% acima do registrado em setembro/25. Trata-se do maior valor desde julho/25, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de agosto/26). No Rio Grande do Sul, a média é de R$ 1.381,33 por tonelada, altas de 4,2% frente a agosto/26 e de 8,3% na comparação anual, e o maior valor real desde maio/25. Em Santa Catarina, o preço médio é de R$ 1.419,36 por tonelada, o maior desde agosto/25, com aumentos de 4,1% no mês e de 3,1% em relação a setembro/25. Em São Paulo, por sua vez, a média é de R$ 1.502,85 por tonelada, avanços de 4,3% no comparativo mensal e de expressivos 18,2% no comparativo anual. Conforme dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 21,6% da área destinada ao cultivo de trigo no Brasil já havia sido colhida até 18 de setembro.
Em São Paulo, até a mesma data, a colheita permanecia interrompida pelas chuvas e pelas baixas temperaturas. No entanto, ao final da semana passada, os produtores avançaram rapidamente com os trabalhos devido aos dias de sol. No Paraná, conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), as estimativas de rendimento e de produção para a safra de 2026 foram reduzidas. A produtividade, prevista em 54 sacas de 60 Kg por hectare, caiu para 49 sacas de 60 Kg por hectare devido às temperaturas acima da média e ao excesso de chuvas em agosto e setembro. Com a área estimada em 727 mil hectares, a perspectiva é de produção de 2,13 milhões de toneladas. Até o dia 21 de setembro, 46% do trigo paranaense já havia sido colhido. Em campo, 64% das lavouras estavam em boas condições, 29%, em condições médias e 7%, em condições ruins. Quanto à fenologia, 60% estavam em maturação, 29%, em frutificação, 9%, em floração e 2%, em desenvolvimento vegetativo.
No Rio Grande do Sul, conforme dados divulgados pela Emater-RS, a colheita teve início na região do noroeste e alcançou 1% da área até o dia 24 de setembro. Até o dia 20 de setembro, as condições climáticas estavam, de modo geral, favoráveis. No entanto, as chuvas acompanhadas de ventos no dia 21 de setembro provocaram danos pontuais em algumas lavouras. Até o dia 24 de setembro, 13% das lavouras estavam em maturação, 54%, em enchimento dos grãos, 23%, em floração e 9%, em desenvolvimento vegetativo. No mercado externo, os futuros do trigo registram recuo diante da menor demanda pelo grão norte-americano. Conforme dados de vendas externas divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), na semana encerrada em 17 de setembro, foram vendidas 267,55 mil toneladas de trigo da temporada 2026/27, redução de 18% no comparativo semanal.
Além disso, a expectativa de clima favorável no sul das Grandes Planícies dos Estados Unidos também pressionou as cotações. O cultivo do trigo de inverno chegou a 17% do total nos Estados Unidos até o dia 20 de setembro, com início da germinação em pequena parcela das lavouras. Nos últimos sete dias, o contrato Dezembro/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra recuo de 1,5%, cotado a US$ 7,03 por bushel (US$ 258,40 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o mesmo vencimento do trigo Hard Winter tem baixa de 2,8%, a US$ 7,62 por bushel (US$ 279,99 por tonelada). Apesar da retração semanal, o primeiro vencimento registrou expressiva alta nos comparativos mensal e anual, diante das dificuldades logísticas no embarque dos grãos para escoamento marítimo na região do Mar Negro, em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
Assim, a média da parcial deste mês está em US$ 7,22 por bushel (US$ 265,63 por tonelada) na Bolsa de Chicago, altas de 6,9% frente a agosto/26 e de expressivos 40% em relação a setembro/25. Na Bolsa de Kansas, a média alcançou US$ 7,91 por bushel (US$ 290,66 por tonelada), elevações de 5,9% no comparativo mensal e de fortes 58% no ano. Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia registram avanço de 0,4% nos últimos sete dias, a US$ 263,00 por tonelada. Na média parcial mensal, a cotação é de US$ 261,37 por tonelada, altas de 6,7% frente a agosto/26 e de 15,3% em relação a setembro/25. Conforme a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, apesar das chuvas e geadas pontuais em algumas regiões, a cultura do trigo não foi afetada e 94,6% das lavouras estão em condições entre normal e excelente. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.