ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

28/Sep/2026

Preços do trigo sustentados por restrições na oferta

O mercado brasileiro de trigo opera sob forte pressão de custos na moagem e diante de incertezas crescentes sobre a oferta nacional. A combinação de adversidades climáticas na Região Sul do País, especialmente no Paraná e no Rio Grande do Sul, com a sustentação das cotações internacionais, influenciadas pela paridade de importação e pelas tensões geopolíticas, mantém os preços favoráveis ao produtor e reduz as margens da indústria moageira. O cenário limita a capacidade dos moinhos de repassar integralmente a valorização do trigo para os preços da farinha no varejo. No Paraná, os impactos climáticos sobre a safra, inicialmente estimada em cerca de 2,3 milhões de toneladas, aumentam a incerteza sobre o volume efetivamente disponível. A expectativa da indústria é de uma quebra substancial, ainda sem dimensionamento definitivo. A formação de preços também está cada vez mais vinculada à paridade internacional e, caso o atual quadro geopolítico externo persista, não há perspectiva de arrefecimento relevante das cotações.

As margens da indústria moageira já estão pressionadas há meses pela dificuldade de repassar integralmente a alta do grão para os derivados, em um ambiente adicionalmente prejudicado pela desvalorização do farelo de trigo. A menor produção paranaense deve elevar a necessidade de compras externas para níveis acima dos padrões históricos. O Estado processa entre 3,8 milhões e 3,9 milhões de toneladas de trigo por ano e, com a redução da produção local, a dependência de importações tende a superar o volume tradicional. Em Ponta Grossa, a escassez de trigo Tipo 1 no mercado disponível reforça a postura cautelosa dos moinhos. Lotes de alta qualidade estão sendo ofertados acima de R$ 1.600,00 por tonelada FOB, diante da oferta limitada. As chuvas também influenciaram o comportamento dos produtores, com parte deles optando por colher o cereal ainda úmido como estratégia para preservar a qualidade do produto. Do lado da demanda, as indústrias trabalham com referências entre R$ 1.550,00 e R$ 1.600,00 por tonelada CIF, mas realizam compras de forma pontual. A análise da qualidade de cada lote passou a ter peso maior na negociação antes da definição dos preços. No mercado spot, também não há referências competitivas de trigo importado do Paraguai e da Argentina, diante da menor disponibilidade nos países vizinhos.

No Rio Grande do Sul, o risco climático associado ao El Niño levou a indústria moageira a retomar as compras nos últimos dias, contribuindo para a elevação dos preços no mercado disponível. Em Ijuí, as indicações dos moinhos avançaram de R$ 1.450,00 por tonelada para R$ 1.500,00 por tonelada CIF, enquanto a ponta vendedora trabalha com valores entre R$ 1.550,00 e R$ 1.600,00 por tonelada CIF. A colheita começa nas regiões noroeste e norte do Estado, com as primeiras referências para o trigo da safra nova entre R$ 1.350,00 e R$ 1.400,00 por tonelada FOB. A evolução da colheita e a qualidade dos lotes serão determinantes para a formação dos preços nas próximas semanas, especialmente diante da necessidade de reposição dos moinhos e da menor oferta de trigo Tipo 1. Dois navios argentinos estão previstos para chegar ao Rio Grande do Sul com trigo cotado a US$ 297,00 por tonelada CIF no Porto de Rio Grande e a US$ 307,00 por tonelada CIF em Canoas. A combinação entre menor oferta doméstica, qualidade mais restrita e preços internacionais sustentados tende a ampliar a participação do produto importado no abastecimento brasileiro, ao mesmo tempo em que mantém as margens da indústria moageira sob pressão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.