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25/Sep/2026

Brasil deverá elevar importações de trigo em 2026

Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), as importações brasileiras de trigo podem alcançar cerca de 9 milhões de toneladas em 2026, acima da projeção inicial de 7,5 milhões de toneladas e da média histórica de 5,5 milhões a 6 milhões de toneladas. A elevação da necessidade de compras externas está relacionada às perdas provocadas pelo clima na produção nacional e à necessidade de garantir volume e qualidade suficientes para atender à moagem e ao mercado consumidor. A produção brasileira de trigo em 2026 está estimada em aproximadamente 5,7 milhões de toneladas, mas as perdas climáticas reduziram a disponibilidade efetiva de parte da safra.

Para a indústria de moagem, além do volume total produzido, é necessário considerar a localização do cereal e a parcela que atende às especificações de qualidade exigidas pelos moinhos. Dessa forma, a produção nominal não representa integralmente a disponibilidade de trigo com características adequadas para processamento. Em São Paulo, a necessidade de recorrer ao mercado externo também tende a superar as projeções iniciais. O trigo produzido no Estado e o importado possuem funções complementares no abastecimento da indústria, considerando a capacidade instalada de moagem, a localização dos moinhos e o tamanho do mercado consumidor paulista.

A produção estadual permanece relevante pela qualidade e pela proximidade das unidades industriais, enquanto o trigo importado exerce papel estrutural no atendimento da demanda. Argentina e Paraguai permanecem como origens fundamentais para o abastecimento brasileiro. A Rússia também apresenta potencial de fornecimento, mas sua participação continua limitada pelas condições sanitárias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, que restringem os volumes e as regiões brasileiras que podem receber o cereal russo.

A necessidade de concentrar um volume maior de importações em uma janela mais estreita ocorre em um ambiente de conflitos geopolíticos, restrições logísticas, maior exposição aos custos de fretes e seguros, volatilidade cambial e pressão sobre os preços do diesel. A combinação desses fatores tende a elevar os custos de reposição e torna mais relevante a gestão da disponibilidade física ao longo da cadeia. Nesse cenário, o mercado brasileiro de trigo tende a operar com oferta mais ajustada em busca de um novo ponto de equilíbrio entre a disponibilidade doméstica, a necessidade de importações e a demanda da indústria de moagem. A maior dependência do produto externo em 2026 aumenta a exposição do mercado nacional às condições de oferta dos países fornecedores e às oscilações dos custos logísticos e financeiros. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.