25/Sep/2026
O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) reduziu suas projeções para o crescimento da economia da Ucrânia diante dos impactos dos ataques russos sobre a infraestrutura de energia e da interrupção da navegação e das operações portuárias no Mar Negro. Um acordo com a Rússia para interromper os ataques à infraestrutura energética, combinado com a retomada das exportações de grãos pelo Mar Negro, poderia proporcionar impulso significativo à atividade econômica ucraniana. A economia da Ucrânia ficou praticamente estagnada no primeiro semestre de 2026, após expansão de 1,8% em 2025. A projeção de crescimento para 2026 foi reduzida para 1,5%, ante 2,2% estimados em junho. Para 2027, a previsão caiu de 4% para 2,2%.
A revisão está relacionada aos danos provocados pelos ataques russos ao sistema energético ucraniano, enquanto os ataques ucranianos contra refinarias russas contribuíram para a redução da oferta de combustíveis. O BERD já mobilizou 10,8 bilhões de euros em apoio à Ucrânia desde o início da invasão russa, em 2022, com parcela significativa dos recursos direcionada à manutenção e à recuperação da infraestrutura energética. Uma interrupção dos ataques contra o setor de energia teria impacto relevante sobre a recuperação econômica do país. Destaque também para os efeitos sobre o mercado de combustíveis. A Rússia proibiu a maior parte das exportações de diesel após os ataques às refinarias, contribuindo para a elevação dos preços internacionais, inclusive nos Estados Unidos.
Medidas semelhantes adotadas por outros países, incluindo eventual restrição às exportações de diesel considerada pelos Estados Unidos, podem provocar efeitos em cadeia sobre a oferta global e ampliar as pressões inflacionárias, devido ao peso do diesel nos custos de transporte, produção e logística de diversos setores da economia. As projeções para a Rússia também foram reduzidas. O BERD agora estima crescimento de 0,5% em 2026 e de 0,7% em 2027. Além dos efeitos do conflito e do choque energético associado à guerra entre Estados Unidos e Irã e às tensões no Estreito de Ormuz, os ataques à navegação e aos portos no Mar Negro são fatores adicionais de pressão sobre o comércio internacional. As exportações ucranianas de grãos recuaram para níveis observados pela última vez em abril de 2022.
A redução da disponibilidade de rotas marítimas ocorre em um cenário de baixos níveis de água no Rio Danúbio e de danos à infraestrutura ferroviária, elevando os custos das alternativas logísticas utilizadas para escoamento da produção. O BERD estima que a Ucrânia poderá perder entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões em exportações de grãos e outros US$ 1,5 bilhão em minérios metálicos, totalizando até US$ 5 bilhões, equivalente a cerca de 2,5% do PIB anual do país. Os impactos sobre os mercados internacionais podem se ampliar, especialmente diante da possibilidade de efeitos simultâneos do fenômeno El Niño sobre outras regiões produtoras agrícolas. Nesse cenário, as restrições à navegação e ao comércio pelo Mar Negro passam a representar um fator adicional de risco para a oferta global de grãos, em um ambiente já pressionado pelos choques energéticos no Estreito de Ormuz. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.