24/Sep/2026
Os mercados globais de grãos e oleaginosas operam em ritmo mais lento e com negociações predominantemente laterais, em um ambiente de cautela diante dos próximos eventos geopolíticos e dos relatórios de oferta e demanda. Entre os principais pontos de atenção estão o encontro entre os governos dos Estados Unidos e da China, os desdobramentos no Mar Negro e a divulgação do relatório trimestral de estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para a próxima semana. No cenário internacional, também estão no radar as relações entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, as negociações norte-americanas com a Venezuela e o acordo firmado entre Dinamarca, Estados Unidos e Groenlândia. No comércio entre Estados Unidos e China, os norte-americanos buscam ampliar os embarques de produtos agrícolas e de energia para o mercado chinês.
Na China, a estatal Sinograin realizou leilões domésticos de soja importada anteriormente, com uma primeira oferta de 543 mil toneladas, das quais 62% foram arrematadas, seguida por uma nova oferta de 514 mil toneladas. As operações têm como objetivo liberar espaço para novos embarques, potencialmente de origem norte-americana. Nos Estados Unidos, o ritmo das exportações de soja está 9% acima do necessário para o cumprimento da meta anual. No campo, a colheita de soja nos Estados Unidos alcançou 12% da área, acima da média dos últimos cinco anos, enquanto 58% das lavouras estão em condições boas ou excelentes. No Brasil, o plantio da safra alcançou 1,2% da área, ante 0,9% em igual período de 2025. Para a Argentina, as estimativas de produção de soja variam entre 51,8 milhões e 53,6 milhões de toneladas.
No milho, a colheita nos Estados Unidos avançou para 13% da área, também acima da média de cinco anos, com 57% das lavouras em condições boas ou excelentes. No Brasil, o plantio da safra de verão de milho (1ª safra 2026/2027) está em cerca de 30% da área. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta produção de 66 milhões de toneladas de milho, ante 64 milhões de toneladas no ciclo anterior. Na União Europeia, as importações de milho somam 4,5 milhões de toneladas, contra 3,5 milhões de toneladas no mesmo período da temporada anterior. Na França, apenas 23% das lavouras de milho apresentam condições boas ou excelentes, enquanto a colheita alcançou 27% da área.
No Mar Negro, permanecem as preocupações com a baixa umidade durante o plantio do trigo de inverno na Rússia e na Ucrânia. Cerca de um terço da área de trigo de inverno ucraniana apresenta déficit de umidade. Na Rússia, a produção já colhida soma 90 milhões de toneladas de trigo, enquanto o Ministério da Agricultura local pretende ofertar 3 milhões de toneladas para formação de reservas estatais. As estimativas de exportação russa de trigo em setembro foram elevadas para uma faixa entre 2,0 milhões e 2,2 milhões de toneladas, incluindo o transporte ferroviário de grãos até o porto de Murmansk, no Círculo Polar Ártico. Na Ucrânia, a colheita de trigo alcança 25,3 milhões de toneladas.
No consumo internacional, o Paquistão adquiriu 365 mil toneladas de trigo em uma licitação de 750 mil toneladas e abriu novo certame para 185 mil toneladas. O Egito informou dispor de seis meses de reservas estatais e vem redirecionando suas compras para origens como França, Bulgária e Romênia. O mercado de grãos permanece, portanto, em compasso de espera, com os participantes monitorando simultaneamente a evolução das lavouras nas principais regiões produtoras, os fluxos de comércio e os riscos geopolíticos. A divulgação do relatório trimestral de estoques do USDA e os próximos desdobramentos nas relações entre Estados Unidos e China e no Mar Negro serão determinantes para a definição da direção dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.