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24/Sep/2026

Rússia: plantio de inverno é o mais lento desde 2013

A semeadura de grãos de inverno na Rússia avança no ritmo mais lento desde 2013, com efeitos negativos sobre as perspectivas para a safra de 2027. Até 18 de setembro, os agricultores russos haviam semeado 6,1 milhões de hectares, área 14% inferior aos 7,1 milhões de hectares registrados em igual período de 2025 e 25% abaixo da média dos últimos cinco anos. O resultado é o menor para o período desde 2013, quando chuvas intensas durante o outono prejudicaram os trabalhos de campo. O trigo de inverno representa normalmente cerca de 90% da área total destinada aos grãos de inverno na Rússia. Em 2025, a cultura ocupou aproximadamente 16 milhões de hectares, de um total de 17,5 milhões de hectares semeados com grãos de inverno. O atraso observado neste ano ocorre em um ambiente de forte pressão financeira sobre os produtores, associado às interrupções nos embarques pelo Mar Negro.

Os preços domésticos do trigo recuaram cerca de 40% desde junho e estão entre 20% e 30% abaixo do ponto de equilíbrio dos agricultores. A combinação entre preços deprimidos e dificuldades nas exportações reduz a capacidade de investimento e desestimula a implantação das lavouras de inverno. Nesse cenário, a expectativa é de menor aplicação de insumos por hectare, especialmente fertilizantes, o que pode limitar o potencial produtivo da safra de 2027. As condições climáticas também contribuem para o atraso. A baixa umidade do solo tem reduzido o ritmo de semeadura em algumas regiões, enquanto áreas do centro da Rússia ainda permanecem ocupadas por culturas de ciclo mais longo. A combinação entre restrições financeiras, menor rentabilidade e condições de campo desfavoráveis aumenta o risco de redução dos investimentos agrícolas e de comprometimento do desenvolvimento inicial das lavouras.

Na Ucrânia, o calendário de semeadura também apresenta atraso, em meio às restrições nos embarques. Até 15 de setembro, haviam sido semeados 170 mil hectares com grãos de inverno, ante 260 mil hectares em igual período de 2025 e uma média de 400 mil hectares entre 2023 e 2025. A área destinada ao trigo de inverno pode recuar entre 10% e 15%, ampliando a possibilidade de redução da oferta regional na temporada 2027. O quadro simultâneo de atraso na Rússia e na Ucrânia adiciona incerteza às perspectivas de produção de trigo de inverno na região do Mar Negro. Além da área efetivamente semeada, o desempenho das lavouras dependerá das condições de umidade do solo, do nível de investimento em fertilizantes e demais insumos e da evolução das condições de comercialização e exportação ao longo dos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.