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21/Sep/2026

Preços do trigo estão firmes no mercado doméstico

O mercado físico brasileiro de trigo mantém cotações firmes diante das chuvas recentes no Paraná e no Rio Grande do Sul, que aumentam o risco de perda de qualidade no campo. O cenário pode ampliar a disponibilidade de trigo de padrão inferior, tipo 2, enquanto restringe a oferta de trigo pão, tipo 1, de maior qualidade. A menor disponibilidade do produto de alto padrão no Brasil, combinada aos problemas de qualidade observados na safra velha da Argentina, abre espaço para a comercialização de lotes brasileiros de trigo pão a preços elevados até novembro, antes da entrada da nova safra argentina no País. Para a virada do ano, a dinâmica de abastecimento deverá ficar mais vinculada à oferta argentina.

A projeção para a safra 2026/27 da Argentina é de produção entre 22 milhões e 23,5 milhões de toneladas, com teor médio de proteína em torno de 11,5%, volume considerado suficiente para atender à moagem brasileira. A entrada desse cereal nos portos brasileiros a partir de dezembro tende a ampliar a concorrência e favorecer o retorno do trigo doméstico à paridade tradicional, com desconto em relação ao produto importado. No mercado spot do Paraná, os acumulados de chuva atingiram regiões produtoras estratégicas, como Guarapuava, Tibagi e Londrina, elevando a preocupação com a qualidade do cereal. A indústria moageira mantém busca ativa por lotes para recomposição de estoques. As indicações para trigo pão estão entre R$ 1.600,00 e R$ 1.630,00 por tonelada CIF, alta de R$ 30,00 por tonelada nos últimos sete dias.

Com a oferta restrita de trigo de primeira linha, os vendedores mantêm pedidas acima de R$ 1.500,00 por tonelada FOB. O trigo argentino da safra velha permanece cotado a US$ 310,00 por tonelada FOB no Porto de Paranaguá. No Rio Grande do Sul, a comercialização do trigo disponível ocorre de forma pontual, com desalinhamento entre as expectativas de compradores e vendedores. As indicações das indústrias estão entre R$ 1.450,00 e R$ 1.550,00 por tonelada CIF para lotes disponíveis, enquanto os produtores indicam até R$ 1.600,00 por tonelada CIF, dependendo do município. No mercado de importação, o trigo argentino disponível é negociado a US$ 312,00 por tonelada CIF, enquanto os contratos para o trigo novo argentino variam entre US$ 302,00 e US$ 307,00 por tonelada CIF.

Para a safra nova brasileira, o ritmo de negócios permanece lento, com produtores e moinhos aguardando o início efetivo da colheita para avaliar e validar a qualidade do cereal. No segmento de exportação, as indicações futuras estão entre R$ 1.250,00 e R$ 1.270,00 por tonelada CIF, para pagamento à vista, mas esses níveis ainda não encontram vendedores dispostos a negociar. O mercado, portanto, combina sustentação dos preços no curto prazo, decorrente da menor disponibilidade de trigo pão e do risco de perda de qualidade provocado pelas chuvas, com expectativa de maior pressão competitiva a partir de dezembro. Até novembro, a restrição de oferta de trigo de primeira linha pode manter as cotações domésticas firmes, enquanto a entrada da safra argentina 2026/27 tende a ampliar a disponibilidade regional e reduzir o espaço para prêmios do trigo brasileiro de maior qualidade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.