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21/Sep/2026

Preços sustentados por menor oferta do Mar Negro

As disrupções no Mar Negro continuam dando suporte aos preços do trigo, mas o mercado encontra resistência para sustentar uma trajetória de alta diante da fraca demanda pelo cereal dos Estados Unidos. Segundo a Stag International, a principal condição ainda ausente para uma valorização mais consistente é a transferência da menor oferta de Rússia e Ucrânia para as exportações norte-americanas, em um cenário de posições compradas elevadas dos fundos e diversificação das compras por importadores tradicionais do Mar Negro. As exportações combinadas de trigo da Rússia e da Ucrânia entre julho e setembro devem ficar próximas de 8 milhões de toneladas, menos da metade do volume registrado em igual período de 2025 e no menor nível em 16 anos. Apesar da redução expressiva da oferta, os contratos futuros permanecem abaixo das máximas observadas no início de setembro, indicando menor sensibilidade do mercado a novos episódios de tensão na região.

O relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também limita o potencial de valorização ao elevar as estimativas de produção de trigo da Austrália, do Canadá e da Ucrânia e os estoques globais finais em cerca de 3 milhões de toneladas. Novas revisões ainda são possíveis, mas tendem a ser marginais, salvo uma mudança mais relevante no balanço global de oferta e demanda. O posicionamento dos fundos constitui outro fator de resistência à alta. As posições líquidas compradas dos investidores estão próximas das máximas históricas, reduzindo a disposição para ampliar as apostas na valorização sem evidências mais claras de que a menor oferta do Mar Negro esteja direcionando a demanda para os Estados Unidos.

Até o momento, as vendas semanais de trigo norte-americano não apresentam aceleração significativa. A menor oferta russa e ucraniana, por sua vez, não se converte automaticamente em aumento das compras de trigo dos Estados Unidos. Importadores do Norte da África, do Oriente Médio e da Ásia ainda conseguem recorrer a origens alternativas, como União Europeia, Austrália, Canadá e Argentina, dependendo das condições de frete, qualidade e preços FOB. Egito e Argélia exemplificam esse processo de diversificação. O Egito vem direcionando parte das compras para França, Romênia e Bulgária, enquanto a Argélia aumenta a busca por trigo da Romênia e da Bulgária, com possibilidade de ampliar as compras nos países bálticos. Uma licitação argelina de cerca de 500 mil toneladas para novembro favoreceu essas origens.

O principal ponto de atenção passa a ser a capacidade dos fornecedores alternativos de absorver, por período prolongado, a demanda anteriormente atendida por Rússia e Ucrânia. A persistência das restrições logísticas no Mar Negro pode reduzir a disponibilidade em origens mais próximas e levar os importadores a buscar fornecedores mais distantes e de maior custo, incluindo os Estados Unidos. Nesse cenário, a transferência efetiva da demanda para o trigo norte-americano criaria fundamento mais consistente para novas altas. No sentido oposto, também há limitações para uma queda mais acentuada dos preços. Uma redução expressiva dos futuros dependeria de avanço relevante em direção a um cessar-fogo, acompanhado da normalização da capacidade portuária e da logística do Mar Negro, o que permitiria recomposição mais ampla dos fluxos de exportação da região.

Na Rússia, os embarques apresentam recuperação lenta, com exportações de setembro estimadas acima de 2 milhões de toneladas, apoiadas pelo aumento dos fluxos ferroviários. A Stag mantém, por enquanto, as projeções para outubro e novembro, mas identifica risco de redução de cerca de 1 milhão de toneladas em cada mês caso não haja melhora relevante das condições logísticas até o fim de setembro. O mercado permanece, portanto, entre dois vetores. As disrupções no Mar Negro estabelecem suporte aos preços, enquanto a ausência de uma transferência mais clara da demanda para os Estados Unidos e o elevado posicionamento comprado dos fundos limitam o potencial de uma alta sustentada. Enquanto esse equilíbrio persistir, novos episódios isolados de tensão tendem a produzir reações menores nos futuros do trigo do que as observadas no início do conflito recente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.