21/Sep/2026
Segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo deve recuar 27,1% em 2026, para 5,7 milhões de toneladas. A redução decorre principalmente da menor área plantada e da queda de produtividade, mas, até o momento, os indicadores de preços ao consumidor não apontam impacto significativo sobre o pão francês ou sobre a farinha de trigo. A área cultivada com trigo está estimada em 1,9 milhão de hectares, queda de 21,2% em relação ao ano anterior, enquanto a produtividade deve alcançar 2,9 mil quilos por hectare, recuo de 7,5%. A semeadura foi concluída em todas as regiões produtoras, com o Rio Grande do Sul mantendo a posição de maior produtor nacional. A colheita já começou e alcança 18% da área semeada. A redução da área está associada principalmente às condições de mercado. No Paraná, o trigo está atualmente cotado em torno de R$ 1.500,00 por tonelada, ante menos de R$ 1.300,00 por tonelada em abril, período de início da semeadura.
Os preços observados no começo do ciclo, combinados com o aumento dos custos dos insumos, reduziram a atratividade econômica do cultivo. O cenário de endividamento de parte dos produtores e as incertezas climáticas associadas ao El Niño também contribuíram para a retração da área. A elevação dos custos dos insumos foi agravada pelo conflito no Oriente Médio, que pressionou preços de fertilizantes, combustíveis e outros componentes do custo de produção. Com menor remuneração esperada no início do ciclo, produtores reduziram a área destinada ao cereal. No mercado consumidor, entretanto, os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram comportamento moderado. A inflação acumulada em 12 meses está em 4,22%, enquanto a farinha de trigo acumula queda de 4,33% no ano e de 5,32% em 12 meses. Em agosto, o produto registrou alta de 0,43%.
O pão francês teve variação de 0,40% em agosto, acumulou alta de 3,78% no ano e de 4,65% em 12 meses. Os números indicam que, até o momento, a redução da produção de trigo não se transformou em pressão proporcional sobre os preços ao consumidor. O comportamento dos preços, contudo, ainda depende da evolução da safra. A colheita não foi concluída e as chuvas observadas nas regiões produtoras do Sul podem afetar a qualidade do cereal. Além do volume produzido, a qualidade do trigo é determinante para a utilização pela indústria de moagem e para a disponibilidade de matéria-prima adequada aos diferentes padrões de farinha. A Conab também aponta que o excesso de chuvas nas regiões produtoras já provoca problemas relacionados a doenças nas culturas de inverno, especialmente no trigo. Dessa forma, além da queda de volume, a evolução da qualidade do cereal durante a colheita será um fator relevante para a formação dos preços da matéria-prima e para o comportamento da farinha e de seus derivados nos próximos meses. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.