17/Sep/2026
As cotações internacionais do trigo permanecem sustentadas pela escalada dos conflitos geopolíticos na região do Mar Negro, apesar de o balanço global entre estoques e uso permanecer em níveis superiores aos observados em outros períodos recentes. A interrupção dos fluxos de exportadores relevantes reduz a disponibilidade imediata e reorganiza o comércio internacional, contribuindo para manter os preços elevados. A paralisação dos embarques da Rússia, principal exportador mundial de trigo, e da Ucrânia ocorre após ataques contra estruturas portuárias e embarcações civis desde maio. A redução dos fluxos desses países favorece fornecedores alternativos, com destaque para a Argentina, que apresenta preços competitivos no mercado internacional e tende a ampliar sua participação no abastecimento de compradores afetados pelas restrições no Mar Negro.
A persistência do conflito também pode provocar efeitos sobre as próximas safras dos países da região. Os descontos aplicados ao trigo comercializado localmente no Mar Negro, em razão dos riscos associados ao escoamento e à comercialização, podem reduzir a atratividade econômica da atividade e contribuir para uma menor área plantada nos ciclos seguintes. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção de trigo em 5,7 milhões de toneladas em 2026. A StoneX avalia que a produção nacional foi afetada pela redução da área plantada, associada aos custos elevados de implantação das lavouras, além da ocorrência de chuvas nas regiões produtoras, que comprometeram a qualidade do grão. A combinação de menor volume produzido e problemas de qualidade aumenta a necessidade de importações para complementar o abastecimento doméstico.
Com as cotações internacionais sustentadas, o Brasil tende a enfrentar custos mais elevados para garantir o suprimento do mercado interno no encerramento de 2026 e no início de 2027, ampliando a pressão sobre os custos da indústria compradora. O cenário internacional mantém, assim, o mercado brasileiro exposto à evolução dos conflitos no Mar Negro e à disponibilidade de trigo dos principais exportadores. A eventual continuidade das restrições nos embarques da Rússia e da Ucrânia poderá manter a necessidade de diversificação das origens de importação, enquanto a menor produção brasileira reduz a capacidade de compensar internamente a oferta internacional mais restrita. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.