17/Sep/2026
Segundo estimativa da consultoria SovEcon, as exportações combinadas de trigo da Rússia e da Ucrânia no primeiro trimestre da safra 2026/27, entre julho e setembro, devem somar cerca de 8 milhões de toneladas, o menor volume para o período desde 2010/11. O resultado representa forte retração ante as 16,2 milhões de toneladas embarcadas no mesmo período do ano passado e fica 10,2 milhões de toneladas abaixo da média dos últimos cinco anos, de 18,2 milhões de toneladas. A menor disponibilidade dos dois principais fornecedores do Mar Negro deve retirar cerca de 8,2 milhões de toneladas de trigo do mercado global no primeiro trimestre da safra 2026/27 em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na comparação com a média de cinco anos, a redução alcança 10,2 milhões de toneladas. Esses volumes correspondem, respectivamente, a quase metade e a quase 60% do comércio global mensal de trigo, evidenciando o impacto potencial da retração sobre a oferta internacional e sobre o fluxo de abastecimento dos países importadores. Na Rússia, as exportações de trigo no primeiro trimestre da safra 2026/27 são estimadas em 5,4 milhões de toneladas, queda de 53% ante as 11,5 milhões de toneladas registradas um ano antes. O volume também representa retração de 58% em relação à média de cinco anos, de 12,9 milhões de toneladas.
Na Ucrânia, os embarques devem alcançar cerca de 2,6 milhões de toneladas, ante 4,7 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior e média de 5,2 milhões de toneladas, configurando o menor volume para o primeiro trimestre desde 2012/13. A retração dos embarques está associada a severas interrupções logísticas no Mar Negro e no Mar de Azov. Na Rússia, os fluxos foram prejudicados pela suspensão da navegação no Mar de Azov e por paralisações em terminais do Mar Negro. Na Ucrânia, os portos da região de Odessa interromperam as operações após sucessivos ataques à infraestrutura portuária e de exportação, reduzindo a capacidade de escoamento de trigo.
As rotas alternativas apresentam capacidade limitada para compensar a interrupção dos principais corredores. Para a Rússia, os portos do Báltico, na Letônia e na Lituânia, representam uma alternativa parcial. Para a Ucrânia, as opções incluem o Rio Danúbio e as vias terrestres. Essas rotas podem adicionar entre 700 mil e 1,3 milhão de toneladas de capacidade de escoamento por mês em cada país, muito abaixo da capacidade mensal de aproximadamente 5 milhões de toneladas dos portos de Odessa e de cerca de 6 milhões de toneladas dos terminais russos no Mar Negro e no Mar de Azov.
A limitação logística aumenta a possibilidade de redução temporária da oferta exportável de trigo da região, com potencial de alterar os fluxos internacionais e ampliar a participação de fornecedores de outras origens. A capacidade de reposicionamento da oferta dependerá da duração das interrupções nos portos e da possibilidade de utilização mais intensa das rotas alternativas. No cenário geopolítico, são baixas as chances de um acordo de curto prazo para restabelecer condições seguras de navegação no Mar Negro. O impasse nas negociações envolve questões relacionadas ao setor de energia e às sanções, mantendo elevada a incerteza sobre a normalização dos corredores de exportação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.