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17/Sep/2026

Argélia evita Mar Negro em compra recente de trigo

A Argélia comprou cerca de 500 mil toneladas de trigo para moagem em uma única licitação, com entrega prevista para novembro, sem adquirir volumes de origem no Mar Negro. Os negócios foram fechados com fornecedores da Romênia, Bulgária e, possivelmente, dos países bálticos, e o volume final ainda pode ser maior. A compra ocorre em um cenário de forte redução nos embarques de trigo da Ucrânia e da Rússia. A Ucrânia exportou cerca de 2 milhões de toneladas até o momento na temporada, ante 4 milhões de toneladas em igual período do ano passado. Na Rússia, os embarques de setembro são estimados entre 1,6 milhão e 1,8 milhão de toneladas, ante 4,6 milhões de toneladas um ano antes. Os riscos relacionados ao carregamento e ao transporte continuam influenciando o comércio de trigo.

Navios, portos e infraestrutura de grãos permanecem sujeitos a ataques, aumentando as incertezas sobre a segurança das operações e a regularidade dos embarques a partir do Mar Negro. Nesse cenário, os compradores passam a considerar não apenas os preços, mas também os riscos associados à origem do produto, aos prazos de entrega e à disponibilidade de navios. A decisão da Argélia evidencia como esses fatores podem redirecionar rapidamente o comércio físico de trigo para origens alternativas, como Romênia, Bulgária e países bálticos. A movimentação também sinaliza maior relevância dos critérios de segurança de abastecimento nas decisões dos grandes importadores. Quando esses países indicam necessidade de maior previsibilidade no fornecimento, os exportadores de outras origens passam a ter oportunidade de ampliar sua participação nas compras internacionais.

No Marrocos, uma nova fonte de demanda começa a ganhar importância com a abertura da primeira etapa do programa de subsídios para trigo, que segue até o fim de setembro. O mercado acompanha a possibilidade de retomada das compras pelo país e eventual preferência por trigo com alto teor de proteína. Uma demanda concentrada em trigo de maior teor de proteína pode reduzir o número de origens aptas a atender às especificações e aumentar a concorrência pelas cargas disponíveis. O movimento tende a reforçar a disputa por trigo de qualidade específica justamente em um momento de maior incerteza sobre os embarques do Mar Negro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.