15/Sep/2026
Com o excesso de chuvas em regiões produtoras de trigo das Regiões Sul e Sudeste do Brasil, os produtores estão focados no manejo das lavouras, atentos aos possíveis impactos da umidade na qualidade do grão. O cenário ocorre em meio ao avanço da maturação e da colheita em algumas regiões, o que aumenta as preocupações com rendimento, PH e a possibilidade de doenças associadas à elevada umidade, fatores que influenciam a sustentação dos preços no mercado doméstico. Nos últimos sete dias, os preços no mercado de balcão (preço pago ao produtor) registram avanço de 2,14% no Rio Grande do Sul e 1,09% em Santa Catarina, e permanecem estáveis no Paraná. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as altas são de 3,17% no Paraná, de 2,45% em São Paulo e de 0,1% no Rio Grande do Sul, enquanto Santa Catarina registra recuo de 0,17%. No campo, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 4 de setembro, 11,5% da área nacional de trigo havia sido colhida.
No Paraná, especificamente, a colheita tem avançado mais rapidamente. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) divulgados em 10 de setembro, a área de trigo colhida no Estado passou de 5% para 20% em uma semana. Esse avanço reforça a necessidade de acelerar os trabalhos antes de novas chuvas. Até o momento, os rendimentos observados estão abaixo das expectativas, devido às condições climáticas adversas ao longo do ciclo. Do total das lavouras, 54% estão em maturação, 29%, em frutificação, 11%, em floração e 6%, em desenvolvimento vegetativo. A parcela classificada em boas condições caiu de 92% para 84% na semana, enquanto as lavouras em condições médias aumentaram para 16%. Em São Paulo, a colheita também avançou, mas foi interrompida em algumas áreas devido às chuvas, o que restringiu a oferta disponível no mercado spot. No Estado, 15% da área foi colhida até 4 de setembro, avanço de 7% em relação ao período anterior, de acordo com a Conab.
No Rio Grande do Sul, as lavouras ainda estão em estágios intermediários. Conforme a Emater-RS, até 10 de setembro, 2% das lavouras estavam em maturação, 33%, em enchimento de grãos, 39%, em floração e 26%, em desenvolvimento vegetativo. Apesar de geadas em algumas regiões e das baixas temperaturas, o potencial produtivo é considerado satisfatório. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em relatório divulgado em 11 de setembro, elevou a estimativa de produção mundial de trigo para 2026/27 em 0,4% em relação à projeção de agosto, para 822,43 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume é 2,6% inferior ao estimado para a temporada 2025/26. Dentre os principais produtores, a União Europeia teve a estimativa de produção reduzida em 0,3% (ou 400 mil toneladas), e a Rússia, em 0,6% (ou 500 mil toneladas). Para o Cazaquistão, a diminuição foi de 6,3%, o que equivale a 1 milhão de toneladas. Em sentido contrário, a projeção aumentou 10,7% na Austrália (ou 3 milhões de toneladas); 2,9% no Canadá (ou 1 milhão de toneladas); 2,4% na Ucrânia (ou 600 mil toneladas); e 2,4% na Argentina (ou 500 mil toneladas).
O consumo mundial foi estimado em 826,75 milhões de toneladas, altas de 0,1% frente à estimativa de agosto e de 0,3% em relação a 2025/26. Os estoques finais foram elevados em 1,1% no comparativo mensal, para 276,29 milhões de toneladas, mas ficaram 1,5% abaixo dos da temporada anterior. O comércio internacional foi projetado em 211,77 milhões de toneladas, com recuos frente à projeção anterior e de 5,9% em relação a 2025/26. A Índia ganhou destaque no relatório, com aumento de quase 2 milhões de toneladas na estimativa de exportações. O maior volume pode ampliar a disponibilidade em mercados próximos, em um cenário de mudanças nas condições de oferta da região do Mar Negro. A Índia não está entre os principais exportadores de trigo desde 2022/23. Os contratos futuros de trigo estão pressionados principalmente pelas revisões do USDA para cima nas estimativas de produção mundial e de estoques finais.
Com isso, o contrato Setembro/26 do trigo Soft Red Winter (SRW) negociado na Bolsa de Chicago registra recuo de 1,3% nos últimos sete dias, cotado a US$ 7,07 por bushel (US$ 259,78 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Setembro/26 do trigo Hard Red Winter (HRW) tem baixa de 0,3% no mesmo período, a US$ 7,84 por bushel (US$ 288,07 por tonelada). Na Argentina, o preço FOB, conforme dados do Ministério da Economia, registra baixa de 0,4% nos últimos sete dias, a US$ 260,00 por tonelada. No campo, a colheita do trigo de primavera nos Estados Unidos avançou. Segundo o USDA, até 6 de setembro, 86% da área havia sido colhida, avanço de 9% em uma semana. Na Argentina, dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires divulgados em 9 de setembro indicaram que 53% das lavouras estavam em perfilhamento e 41%, em alongamento de colmo. Quanto à disponibilidade hídrica, 89% das áreas apresentavam condições adequadas ou ótimas, enquanto 95,9% das lavouras estavam classificadas entre normal e excelente. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.