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09/Sep/2026

Preços do trigo seguem em alta no mercado interno

As importações brasileiras de trigo recuaram em agosto, em meio ao avanço da colheita no País, que já alcança 11,5% da área nacional. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que 515,6 mil toneladas desembarcaram nos portos brasileiros no mês, volume 20,7% inferior ao de julho/26. Apesar da redução das compras externas, a oferta de trigo de melhor qualidade segue limitada no mercado doméstico, o que mantém a necessidade de importações pontuais do produto. As importações acumuladas nos últimos 12 meses somam 6,15 milhões de toneladas, volume 9,1% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2026, até agosto, foram importadas 3,94 milhões de toneladas, quantidade 15,8% inferior à observada no mesmo período de 2025 e o menor volume para os oito primeiros meses do ano desde 2023.

Quanto à origem do trigo importado em agosto/26, 68,4% vieram da Argentina, 10,1%, do Paraguai, 10%, da Rússia, 8,4%, do Canadá, 2,9%, dos Estados Unidos e o restante veio do Uruguai. O preço médio das importações foi de US$ 244,39 por tonelada FOB porto. Considerando-se o dólar médio de R$ 5,15 em agosto, o valor equivalente foi de R$ 1.260,79 por tonelada. Atualmente, o valor para colocar o produto importado nos moinhos supera os preços praticados no mercado doméstico. Ainda assim, a melhor qualidade do trigo importado, principalmente o dos países vizinhos, tem viabilizado negociações pontuais. Apesar do avanço da colheita de trigo no Brasil, os preços seguem em alta. As expectativas de menor produção, tanto em nível nacional quanto global, o avanço das cotações internacionais e a oferta limitada no mercado interno spot continuam sustentando os preços domésticos, tanto do trigo em grão quanto dos derivados.

Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), as altas são de 1,56% no Paraná, de 0,21% no Rio Grande do Sul e de 0,1% em Santa Catarina. No mercado de lotes (negociação entre empresas), os preços registram avanço de 1,04% no Rio Grande do Sul, 0,81% em São Paulo, 0,66% em Santa Catarina e 0,15% no Paraná. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de trigo havia atingido 11,5% da área cultivada no Brasil até 4 de setembro, com avanços em Goiás (90%), Minas Gerais (77%), Mato Grosso do Sul (80%), São Paulo (15%) e Paraná (5%). Especificamente no Paraná, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), até 31 de agosto, as lavouras estavam 92% em boas condições e 8%, em condições médias. Do trigo ainda em campo, 43% estavam em maturação, 31%, em frutificação, 17%, em floração e 9%, em desenvolvimento vegetativo.

Os tratamentos fitossanitários continuam sendo feitos no Paraná. Enquanto algumas áreas apresentam expectativas de menor produção diante dos efeitos das geadas, da baixa luminosidade e de doenças nas espigas, outra parte segue com bom desenvolvimento e perspectivas favoráveis. No Rio Grande do Sul, 50% das lavouras estavam em fase de desenvolvimento vegetativo, 33%, em floração, 16%, em enchimento dos grãos e 1% estava em maturação, de acordo com dados da Emater-RS divulgados no dia 3 de setembro. O potencial produtivo para esta temporada está satisfatório, porém condicionado à evolução do quadro fitossanitário e à umidade do solo. Após altas expressivas na última semana de agosto, em meio ao conflito na região do Mar Negro, que prejudicou a logística das exportações, os preços internacionais registram recuo no início de setembro. O movimento ocorre após declarações do presidente russo sobre a possibilidade de um acordo de paz, que contribuíram para a redução do prêmio de risco geopolítico. No entanto, na madrugada desta terça-feira (08/09), houve novos ataques russos em Kiev, mantendo as incertezas sobre esse cenário.

Nos últimos sete dias, o contrato Setembro/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra recuo de 6,6%, cotado a US$ 7,16 por bushel (US$ 263,08 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Setembro/26 do trigo Hard Winter tem baixa de 5%, a US$ 7,86 por bushel (US$ 289,08 por tonelada). No campo norte-americano, até 30 de agosto, conforme dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o trigo de primavera caminhava para a finalização da colheita, com 77% dos campos colhidos. Na Argentina, de acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, até 3 de setembro, 30,7% das lavouras de trigo estavam na fase de alongamento dos colmos ou posterior. A falta de chuva nas regiões do norte e em parte do oeste, atrelada à insuficiência de horas de frio e de radiação solar, gera incertezas quanto ao rendimento das lavouras. Quanto aos preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia da Argentina, há avanço de 2,8% nos últimos sete dias, a US$ 261,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.