08/Sep/2026
A Be8, maior produtora de biodiesel do Brasil, projeta crescimento de 15% na receita em 2027, impulsionado pela entrada em operação de sua nova biorrefinaria em Passo Fundo (RS) e pela diversificação das atividades para além do biodiesel. A companhia, que possui unidades em diferentes Estados brasileiros e plantas na Suíça e no Paraguai, mantém sua sede em Passo Fundo e pretende ampliar a integração com os produtores gaúchos por meio da demanda por cereais de inverno. A nova unidade está prevista para iniciar operações no primeiro trimestre de 2027. A biorrefinaria terá capacidade inicial para processar 525 mil toneladas de grãos por ano e produzir até 210 milhões de litros de etanol. O investimento declarado no projeto é de R$ 1,5 bilhão. A unidade utilizará principalmente trigo e triticale, além de outras matérias-primas, e produzirá etanol, glúten vital e DDG (Grãos Secos de Destilaria).
A operação também permitirá a captura e comercialização do dióxido de carbono (CO2) gerado durante a fermentação do etanol, ampliando o número de produtos e mercados atendidos pela companhia. A estratégia da Be8 é utilizar a nova unidade para fomentar a produção de trigo no Rio Grande do Sul, criando uma demanda adicional para o cereal e ampliando a liquidez ao produtor. A característica multicereal da planta permitirá a utilização de diferentes matérias-primas, enquanto a produção local de etanol tende a reduzir a dependência do Estado em relação ao produto proveniente de outras regiões do País. A nova operação deverá ampliar em cerca de 20% o mercado de trigo no Rio Grande do Sul, criando um destino permanente para a produção e estimulando o aproveitamento econômico das áreas agrícolas durante o inverno.
A Be8 já possui contratos envolvendo mais de 40 mil hectares em regiões próximas à futura planta, considerando áreas implantadas e lavouras em desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. A companhia estima que a nova biorrefinaria terá impacto relevante sobre seus resultados. A Be8 responde por cerca de 13% do mercado nacional de biodiesel e possui capacidade anual de produção de 1,71 bilhão de litros em quatro unidades industriais instaladas no País. Em 2025, a empresa registrou receita líquida de R$ 10 bilhões, crescimento de 36% em relação ao ano anterior, enquanto o faturamento bruto alcançou R$ 12 bilhões, alta de 64%. Para 2026, a companhia trabalha com expectativa de crescimento de 10% da receita e projeta aceleração para 15% em 2027, com a entrada da nova unidade de etanol e a estreia em quatro novos mercados.
A diversificação deverá ampliar a participação da Be8 nas cadeias de biocombustíveis, alimentação animal, ingredientes para a indústria alimentícia e fornecimento de insumos industriais. Além do etanol, a planta será a primeira unidade do Brasil a produzir glúten vital em escala industrial. A nova linha está integrada ao projeto de etanol e permitirá reduzir a dependência brasileira das importações do ingrediente. Atualmente, o País importa todo o glúten vital consumido internamente, enquanto a produção da Be8 terá capacidade para atender integralmente a demanda nacional e ainda gerar excedentes com potencial de comercialização no Mercosul. A produção inicial de DDG deverá alcançar cerca de 150 mil toneladas por ano. O coproduto, obtido após a produção de etanol, apresenta elevado teor proteico e vem ganhando espaço como matéria-prima para a alimentação animal.
A expectativa da companhia é ampliar rapidamente a utilização do DDG no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, fortalecendo a oferta regional de ingredientes para as cadeias de produção de proteínas animais. Dados da Datagro indicam que o consumo brasileiro de DDG deverá aumentar de 9 milhões de toneladas atualmente para 10,8 milhões de toneladas em 2030, refletindo a expansão do uso do coproduto na formulação de rações e dietas animais. A comercialização do CO2 gerado na fermentação também integra a estratégia de aproveitamento integral da matéria-prima. O gás poderá ser fornecido para indústrias de bebidas, incluindo empresas como a Fruki, de Lajeado (RS), reduzindo a necessidade de aquisição do insumo proveniente de outros Estados e permitindo ganhos logísticos em razão da menor distância de transporte. O CO2 também poderá atender empresas do setor metal-mecânico da Região Sul, onde o gás é utilizado em processos de soldagem.
Com a nova biorrefinaria, a Be8 passa a incorporar ao biodiesel quatro novas frentes de produtos: etanol de cereais, DDG, glúten vital e CO2. O modelo amplia a agregação de valor às matérias-primas agrícolas e fortalece a integração entre produção de cereais, biocombustíveis, alimentação animal e indústria. A companhia também mantém como um dos principais produtos o Be8 BeVant, biocombustível desenvolvido a partir de matérias-primas como gordura animal e óleo de cozinha. O produto é destinado ao uso em motores do ciclo diesel e pode substituir integralmente o diesel fóssil sem necessidade de adaptações nos motores ou alterações na infraestrutura existente de abastecimento. O combustível já é utilizado, por exemplo, por veículos da Copa Truck. A diversificação do portfólio reforça a estratégia da Be8 de ampliar a participação em mercados relacionados à transição energética e à agregação de valor ao agronegócio. A nova unidade de Passo Fundo deverá fortalecer a demanda por cereais de inverno no Rio Grande do Sul, ampliar a oferta regional de etanol e DDG e criar novas oportunidades para as cadeias industrial e de proteína animal. Fonte: AgFeed. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.