01/Sep/2026
Os contratos futuros do trigo negociados nas bolsas norte-americanas registraram altas expressivas no fim de agosto, devido à paralisação do escoamento de grãos na região do Mar Negro. Na Bolsa de Chicago, os preços avançaram nos últimos cinco pregões consecutivos, enquanto na Bolsa de Kansas as altas ocorreram nos últimos quatro pregões. No dia 28 de agosto, o contrato Setembro/26 tanto do Soft Red Winter quanto do Hard Red Winter atingiu o maior valor nominal da série histórica das respectivas bolsas. Os portos que escoam grãos pelo Mar Negro e pelo Mar de Azov estão com as atividades praticamente paralisadas, reduzindo a disponibilidade global de grãos. Nos últimos cinco anos-safra, Rússia e Ucrânia foram responsáveis por mais de 29% das exportações mundiais, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na atual temporada, o USDA estima que a Rússia exporte 46 milhões de toneladas (21,5% do total mundial) e a Ucrânia, 13,5 milhões de toneladas (6,3%).
Diante da logística afetada pelo conflito, a menor disponibilidade de trigo russo no mercado impulsiona as cotações internacionais. Nos últimos sete dias, o contrato Setembro/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra avanço de expressivos 12,5%, a US$ 7,67 por bushel (US$ 281,82 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato de mesmo vencimento do trigo Hard Winter tem aumento de 9,5%, a US$ 8,27 por bushel (US$ 304,15 por tonelada). Além da valorização de 20% no mês de agosto, a média do primeiro vencimento na Bolsa de Chicago foi de US$ 6,72 por bushel (US$ 247,01 por tonelada), altas de 3,8% frente a julho/26 e de 32,1% em relação a agosto/25. Na Bolsa de Kansas, a média alcançou US$ 7,43 por bushel (US$ 273,21 por tonelada), elevações de 6,9% no comparativo mensal e de expressivos 47,3% no anual. Os preços nacionais também estão em alta, acompanhando as valorizações externas e o avanço do dólar frente ao Real.
Além disso, a menor disponibilidade interna continua limitando as negociações no mercado spot. O início da colheita no Paraná, contudo, já influencia os preços em algumas regiões do Estado. Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), há alta de 3,03% em Santa Catarina, de 2,84% no Paraná e de 0,16% no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociação entre empresas), os preços registram avanço de 1,3% em São Paulo, 1,25% no Rio Grande do Sul, 0,62% em Santa Catarina e 0,12% no Paraná. No acumulado de agosto, o preço médio do trigo no Paraná foi de R$ 1.427,87 por tonelada, aumento de 2,7% em relação a julho/26, mas 2,9% abaixo do registrado em agosto/25, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI). No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.324,75 por tonelada, altas de 0,6% frente a julho/26 e de 0,1% na comparação anual, e o maior valor real em um ano. Em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.362,44 por tonelada, elevação de 0,9% no mês, mas 7,3% inferior ao de agosto/25.
Em São Paulo, a média atingiu R$ 1.440,20 por tonelada, retrações de 5% no comparativo mensal e de 1,9% no comparativo anual, devido ao avanço da colheita no Estado ao longo de agosto. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de trigo havia atingido 6,7% da área cultivada no Brasil até 21 de agosto, com avanços em Goiás (76%), Minas Gerais (53%), Mato Grosso do Sul (57%) e São Paulo (5%). No Paraná, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), a colheita de trigo se iniciou em algumas regiões, como Apucarana, Campo Mourão, Cascavel, Ivaiporã, Londrina, Maringá e Umuarama, com 1% da área colhida em todo o Estado até 26 de agosto. No Rio Grande do Sul, as chuvas frequentes e a baixa luminosidade limitam o ritmo de crescimento das lavouras, segundo dados da Emater-RS. Até 27 de agosto, 61% das lavouras estavam em germinação/desenvolvimento vegetativo, 28%, em floração, 10%, em enchimento dos grãos e 1% na fase de maturação.
No campo norte-americano, dados divulgados pelo USDA em 24 de agosto indicam a conclusão da colheita do trigo de inverno no país. Para o trigo de primavera, 62% já haviam sido colhidos e, no campo, 51% das lavouras apresentavam condições de boas a excelentes. Na Argentina, a semeadura do trigo foi concluída, cobrindo os 6,5 milhões de hectares previstos para a temporada 2026/27, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. As condições hídricas estão entre adequadas e ótimas em 90,8% da área, e 76,4% já passaram da fase de perfilhamento, com a região noroeste do país iniciando a fase de enchimento dos grãos. Quanto aos preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia da Argentina, há avanço de 2% nos últimos sete dias, a US$ 254,00 por tonelada. Na média mensal de agosto, a cotação foi de US$ 244,00 por tonelada, altas de 5,3% frente a julho/26 e de 4,9% em relação a agosto/25. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.