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31/Aug/2026

Moinhos avaliam repassar alta aos consumidores

O acirramento da guerra entre Rússia e Ucrânia elevou os preços internacionais do trigo ao maior patamar em mais de três anos na Bolsa de Chicago e ampliou a pressão sobre os custos da indústria de moagem no Brasil. O movimento ocorre em um ano em que a produção brasileira deve registrar o menor volume desde 2020, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), criando um cenário de maior risco de repasse para os preços de pães, massas e biscoitos. Os contratos de trigo com entrega em dezembro na Bolsa de Chicago estão cotados a US$ 7,60 por bushel, o maior valor em mais de três anos. O conflito entre Rússia e Ucrânia provocou danos em portos e terminais dos dois países, responsáveis conjuntamente por cerca de um quarto da produção mundial de trigo.

Segundo relatório da consultoria SovEcon, mais de 95% da capacidade total de exportação de grãos da Rússia nos mares Negro e de Azov está paralisada. As dificuldades no mercado internacional agravam a situação da indústria brasileira de moagem, diante da menor disponibilidade doméstica. A alta do trigo tende a elevar os custos para produtores e indústrias e pode alcançar o consumidor. Parte da valorização do cereal já foi absorvida pelos preços ao consumidor, com defasagem, enquanto outra parcela permanece concentrada na indústria. O trigo acumula valorização expressiva no ano, sem que os preços da farinha tenham acompanhado o movimento na mesma intensidade. Ao mesmo tempo, o enfraquecimento do mercado de farelo, coproduto relevante da moagem, contribui para a compressão das margens da indústria.

O impacto do conflito no Mar Negro sobre o Brasil tende a ocorrer principalmente pelos preços internacionais, e não diretamente pelo abastecimento, uma vez que os moinhos brasileiros utilizam volumes reduzidos de trigo originário daquela região. No primeiro semestre, o Brasil importou 170 mil toneladas de trigo da Rússia, de um total de 2,8 milhões de toneladas adquiridas no exterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). A redução ou interrupção do fluxo de trigo russo, entretanto, pode aumentar a concentração da demanda brasileira sobre a oferta argentina. O trigo russo atende principalmente às regiões Norte e Nordeste, enquanto sua entrada pela região Sul é limitada por regras fitossanitárias destinadas à proteção da área produtora brasileira.

Com a restrição desse fluxo, diferentes regiões do País passam a disputar de forma mais intensa a oferta argentina. A Argentina, principal fornecedora externa do cereal ao Brasil, também enfrenta riscos relacionados à qualidade de sua safra. As condições climáticas podem comprometer características relevantes do trigo destinado à indústria, elevando a necessidade de acompanhamento tanto do volume disponível quanto da qualidade da matéria-prima. O cenário combina menor produção brasileira, alta das cotações internacionais, restrições à capacidade exportadora da Rússia e riscos de qualidade na safra argentina, fatores que ampliam a pressão sobre os custos dos moinhos e podem resultar em novos repasses ao consumidor brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.