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25/Aug/2026

Preços do trigo avançam no mercado doméstico

Os preços do trigo seguem em alta no mercado brasileiro, sustentados especialmente pela menor disponibilidade do cereal no spot. Do lado da demanda, agentes começam a direcionar as compras para os volumes da nova safra, sobretudo para entregas previstas entre meados de setembro e outubro. A combinação entre oferta ainda restrita e transição entre safras mantêm os negócios pontuais no mercado disponível. Os compradores que possuem estoques para atender à demanda no curto prazo não demonstram urgência em novas aquisições, enquanto os vendedores permanecem cautelosos diante da disponibilidade limitada do cereal. A expectativa é de que o ritmo das negociações aumente, à medida que a colheita avance e maiores volumes da nova safra cheguem ao mercado. Esse movimento, contudo, dependerá também da produtividade e, principalmente, da qualidade do trigo colhido.

Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), observa-se leve alta de 0,14% no preço do trigo em Santa Catarina e de 0,11% no Paraná e no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociação entre empresas), os preços têm avanço de 1,56% no Paraná, 0,44% no Rio Grande do Sul e 0,82% em Santa Catarina, mas recuo de 0,9% em São Paulo. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de trigo havia atingido 4,7% da área cultivada no Brasil até 14 de agosto, avanço de 1,4% na semana, mas ainda 1,6% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado e da média dos últimos cinco anos. Houve avanço das atividades em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, enquanto a colheita se iniciou em São Paulo, atingindo 5% da área semeada. Há também sinalização de início da colheita no Paraná.

Dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) apontam que, até 17 de agosto, 94% das lavouras do Paraná estavam em boas condições e 6%, em médias. Quanto à fenologia, 11% das áreas já estavam em maturação; 46%, em frutificação; 24%, em floração e 20%, em desenvolvimento vegetativo. Os produtores intensificavam os cuidados com o manejo fitossanitário e as aplicações preventivas. No Rio Grande do Sul, segundo a Emater-RS, a umidade excessiva do solo e as restrições à realização de manejos têm levado a cultura a avançar de fase, mas com redução da taxa de crescimento, resultando em plantas de menor porte e em aspectos fenológicos desfavoráveis. O excesso de chuvas, a baixa exposição ao sol e a maior nebulosidade preocupam quanto ao rendimento do trigo gaúcho. Até 20 de agosto, 82% das lavouras estavam em fase de germinação/desenvolvimento vegetativo; 14%, em floração e 4%, em enchimento dos grãos.

Os futuros do trigo nas bolsas dos Estados Unidos estão em alta, influenciados pela intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia. Notícias sobre interrupções e atrasos nos embarques dos dois países, em meio a restrições logísticas na região do Mar Negro, aumentaram as preocupações quanto à disponibilidade de trigo no mercado internacional e a possíveis paralisações no fornecimento decorrentes dos ataques à infraestrutura de grãos no Mar Negro. Nos últimos sete dias, o contrato Setembro/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra avanço de 1%, a US$ 6,81 por bushel (US$ 250,41 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o mesmo contrato do trigo Hard Winter apresenta aumento de 0,3%, a US$ 7,56 por bushel (US$ 277,87 por tonelada). No campo dos Estados Unidos, até 16 de agosto, 96% da área de trigo de inverno havia sido colhida até o dia 16 de agosto, avanço de 5% em relação à semana anterior, 3% acima do registrado no mesmo período de 2025 e 2% superior à média dos últimos cinco anos.

Para o trigo de primavera, 41% da área havia sido colhida até a mesma data e 52% das lavouras apresentavam condições de boas a excelentes. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, até 19 de agosto, a semeadura atingia 99,8% dos 6,5 milhões de hectares projetados para a safra 2026/27. Quanto à fenologia, 63,3% das lavouras estavam em fases a partir do perfilhamento, mantendo condições de normal a excelente e sustentando as expectativas positivas para a produção. Os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia da Argentina registram avanço de 2,9% nos últimos sete dias, a US$ 249,00 por tonelada. A valorização do cereal argentino contribui para elevar a paridade de importação brasileira e, assim, reforça o suporte às cotações domésticas, especialmente em um cenário de menor disponibilidade nacional. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.