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25/Aug/2026

Conflito no Mar Negro abre espaço para Argentina

A Argentina pode ser a principal beneficiada pela escalada do conflito no Mar Negro, caso a demanda por trigo e milho da Rússia e da Ucrânia seja redirecionada para outros fornecedores. Rússia e Ucrânia respondem, conjuntamente, por cerca de 28% das exportações mundiais de trigo e aproximadamente 10% das exportações globais de milho. Os novos ataques recíprocos contra portos, terminais e embarcações na região elevaram a percepção de risco no mercado, que passou a considerar não apenas possíveis perdas de produção, mas também a possibilidade de os volumes disponíveis não chegarem aos compradores no ritmo normal. Esse cenário elevou os prêmios de risco e impulsionou as cotações de trigo e milho na Bolsa de Chicago. A Argentina aparece em posição favorável para ampliar sua participação no mercado internacional em razão da expectativa de uma safra recorde de milho e das perspectivas positivas para a produção de trigo.

A maior disponibilidade de grãos, combinada a preços competitivos, amplia a capacidade argentina de oferecer volumes adicionais justamente em um momento de maior incerteza sobre os embarques russos e ucranianos. A competitividade argentina também é favorecida pela redução das tarifas de exportação, conhecidas como retenciones. A menor incidência tributária pode ampliar a capacidade do país de conquistar compradores interessados em substituir, ainda que parcialmente, os embarques originários do Mar Negro. O Brasil apresenta capacidade mais limitada para ampliar as exportações no mesmo cenário. O forte consumo doméstico e a formação de estoques para a próxima temporada reduzem o excedente exportável, o que pode limitar a disponibilidade de grãos para o mercado externo e reduzir a competitividade brasileira diante de outros fornecedores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.