24/Aug/2026
O mercado brasileiro de trigo segue com negociações travadas, em um cenário de oferta doméstica restrita, moinhos relativamente abastecidos pelo menos até setembro e produtores retraídos na comercialização antecipada da safra nova. No Paraná, a relação entre preços elevados do grão e valores mais baixos da farinha comprime as margens das indústrias e reduz a demanda. Os moinhos operam com margens muito estreitas ou prejuízo, limitando a disposição de compra. No Rio Grande do Sul, a disponibilidade de trigo da safra velha é estimada em cerca de 100 mil toneladas, volume insuficiente para atender os moinhos até a chegada da nova safra, prevista para novembro. Considerando um processamento mensal de aproximadamente 158 mil toneladas, seriam necessárias cerca de 300 mil toneladas para cobrir outubro e novembro, diante de apenas 100 mil toneladas disponíveis da safra velha.
A expectativa de valorização mantém os produtores retraídos e reduz a oferta disponível para negociação. No Paraná, o trigo da safra velha está cotado em R$ 1.530,00 por tonelada, posto nos moinhos dos Campos Gerais, para entrega imediata. Para a safra nova, as indicações estão em R$ 1.450,00 por tonelada, para entrega na indústria em setembro; R$ 1.430,00 por tonelada em outubro; e R$ 1.400,00 por tonelada em novembro. Mesmo com essas indicações, os negócios permanecem limitados, principalmente pela expectativa dos produtores de que a redução da área plantada em 2026 sustente ou eleve os preços, reduzindo a disposição para vendas antecipadas. No Rio Grande do Sul, a comercialização da safra nova está ainda mais lenta.
Até o momento, apenas cerca de 60 mil toneladas teriam sido negociadas entre moinhos e exportadores, ante volumes que, em anos anteriores, já alcançavam entre 700 mil e 900 mil toneladas nesta época do ciclo. No Paraná, na região dos Campos Gerais, as indicações estão entre R$ 1.520,00 e R$ 1.530,00 por tonelada colocada no moinho e em R$ 1.460,00 por tonelada FOB, mas os negócios permanecem pontuais. Para a safra nova, as indicações de compra dos moinhos são de R$ 1.450,00 por tonelada posto em setembro; R$ 1.430,00 por tonelada em outubro; e R$ 1.400,00 por tonelada em novembro, sem adesão dos vendedores a esses níveis. No Rio Grande do Sul, as indicações variam entre R$ 1.430,00 e R$ 1.440,00 por tonelada FOB Passo Fundo e no norte do Estado.
Em Ijuí, o preço indicado é de R$ 1.400,00 por tonelada, enquanto em Lagoa Vermelha a indicação é de R$ 1.380,00 por tonelada FOB, para retirada imediata e pagamento no fim de setembro. O mercado permanece caracterizado por negociações de curto prazo, com a maior parte dos moinhos abastecida e utilizando uma combinação de trigo nacional e importado. O câmbio e o custo de reposição do trigo importado também contribuem para sustentar as referências domésticas. A valorização do dólar tem elevado os preços externos, enquanto os moinhos brasileiros recorrem ao trigo argentino. A média do produto argentino está próxima de US$ 300,00 por tonelada, com negócios considerados favoráveis em torno de US$ 310,00 e operações menos atrativas próximas de US$ 290,00 por tonelada.
O quadro de menor oferta doméstica é reforçado pelas estimativas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A área brasileira destinada ao trigo em 2026 foi estimada em 1,947 milhão de hectares, queda de 20,4% ante 2025 e menor área desde 2017. A produção foi revisada para 5,813 milhões de toneladas, recuo de 26,2% na comparação anual. Diante da menor disponibilidade doméstica, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou em 4% a previsão de importações de trigo para 7,1 milhões de toneladas no período de agosto de 2026 a julho de 2027. O aumento da dependência do mercado externo tende a manter o câmbio e os custos de reposição como fatores relevantes para a formação dos preços internos, enquanto a menor produção nacional limita a oferta e mantém os produtores mais resistentes à comercialização. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.