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24/Aug/2026

Restrições no Mar Negro sustentam preços do trigo

As restrições logísticas no Mar Negro passaram a limitar concretamente a oferta física de trigo, além do risco geopolítico, e podem sustentar novas altas nos preços caso os problemas persistam até outubro e novembro. A Stag International estima perda acumulada de 6 milhões a 7 milhões de toneladas nas exportações russas entre agosto e outubro. Se as restrições continuarem no quarto trimestre, a redução poderá superar 8 milhões de toneladas na comparação anual. A desaceleração dos embarques russos já aparece nas estimativas para agosto. Segundo a operadora ferroviária Rusagrotrans, a Rússia deverá exportar apenas 1,8 milhão de toneladas de trigo neste mês, o menor volume para agosto desde 2010. A SovEcon também revisou para baixo sua projeção e estima perdas de embarques entre 2 milhões e 3,4 milhões de toneladas em agosto. Em julho, o fluxo havia sido pouco afetado pela guerra e pelos problemas logísticos, mas os dados de agosto indicam impacto mais relevante.

A Stag International reduziu as estimativas de exportação da Rússia entre agosto e outubro e transferiu parte desses volumes para janeiro de 2027 em diante. A avaliação atual é de que o movimento representa principalmente um atraso no programa de exportação, e não uma perda definitiva de oferta. A recuperação dos embarques dependerá da evolução do conflito e das condições logísticas no Mar Negro. A concentração dos embarques aumenta a exposição do fluxo russo às restrições. O Porto de Novorossiysk responde por cerca de 40% a 50% das exportações russas de trigo e movimenta aproximadamente 15 milhões a 20 milhões de toneladas por seus terminais de águas profundas, além de volumes carregados ao largo. Taman também é uma saída relevante, com capacidade anual de aproximadamente 14,5 milhões de toneladas, embora a movimentação efetiva permaneça bem abaixo desse potencial. A duração das restrições passou a ser a principal variável para a formação dos preços.

Os contratos futuros já incorporam parcela relevante dos problemas esperados para agosto e setembro, mas podem ainda não refletir integralmente uma eventual continuidade das limitações em outubro e novembro. A rejeição da Rússia a propostas de trégua marítima ou de criação de um corredor protegido para navios civis aumentou o risco de prolongamento das restrições e reforçou o viés de alta no mercado. Se a interrupção persistir, a redução anual da oferta disponível de trigo do Mar Negro poderá superar 8 milhões de toneladas. Nesse cenário, as rotas alternativas e os demais exportadores teriam capacidade limitada para substituir o volume no curto prazo, o que exigiria preços mais elevados para ajustar a demanda de importação. A Stag International mantém viés de alta para o trigo no curto prazo, mas ressalta que a oferta não desapareceu. Parte relevante dos volumes apenas foi postergada e deverá retornar ao mercado em algum momento. Com a normalização dos fluxos, esse volume represado poderá voltar a exercer pressão baixista sobre os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.