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18/Aug/2026

Preços do trigo estão em alta no mercado interno

A área destinada ao cultivo de trigo no Brasil é a menor em nove anos, o que deve reduzir a oferta doméstica e ampliar a dependência do mercado externo na temporada 2026/27. Conforme estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgada na última semana, o Brasil deve importar 7,5 milhões de toneladas entre outubro de 2026 e setembro de 2027, passando à quarta posição entre os maiores importadores mundiais do cereal, atrás do Egito, da Indonésia e da Argélia. Ao mesmo tempo, a produção global deve recuar 2,9% frente à temporada anterior, com reduções importantes nos Estados Unidos e na União Europeia, cenário que, associado à valorização do dólar, tem contribuído para sustentar os preços no mercado brasileiro. As novas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a temporada de trigo de 2026 indicam redução da área destinada ao cultivo no Brasil, que deve ser a menor desde 2017.

A área está estimada em 1,947 milhão de hectares, quedas de 4,4% em relação ao levantamento anterior e de 20,4% em relação à temporada de 2025. A produção também foi revisada para baixo, em 3,5% no comparativo mensal e em 26,2% no anual, para 5,813 milhões de toneladas. A produtividade, por sua vez, aumentou 0,9% de julho/26 para agosto/26, mas recuou 7,2% frente a 2025, para 2,986 toneladas por hectare. Diante da menor oferta nacional, a Conab elevou a projeção de importações em 4% em relação ao levantamento anterior, para 7,1 milhões de toneladas entre ago/26 e jul/27, enquanto diminuiu a previsão de exportações também em 4%, para 1,497 milhão de toneladas. A estimativa dos estoques finais foi reduzida para 900 mil toneladas, volume 31% inferior ao projetado no levantamento anterior e 39% abaixo do previsto para a safra de 2025 (jul/26). A semeadura de trigo da temporada de 2026 foi encerrada no Brasil, conforme dados da Conab divulgados em 10 de agosto.

A colheita, por sua vez, avança em Minas Gerais e em Goiás e está se iniciando em Mato Grosso do Sul, representando, no total, 3,3% da área colhida no Brasil até 7 de agosto. No Paraná, conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), o trigo segue com bom desenvolvimento, e os produtores estão focados nas aplicações e no manejo das culturas. Até 10 de agosto, 97% das lavouras estavam em boas condições e 3%, em condições médias. Quanto à fenologia, 2% já estavam em maturação, 46%, em frutificação, 25%, em floração e 27%, em desenvolvimento vegetativo. No Rio Grande do Sul, segundo a Emater-RS, os produtores estão focados nos cuidados fitossanitários e no manejo das lavouras. As temperaturas elevadas contribuíram para o crescimento acelerado e anteciparam as fases da cultura. De modo geral, o potencial produtivo ainda se mantém adequado na maioria das áreas. Quanto à fenologia, 89% estavam em desenvolvimento vegetativo, 10%, em floração e 1% estava em enchimento dos grãos.

Para 2026/27, a produção mundial de trigo está estimada em 819,3 milhões de toneladas, queda de 0,1% frente à projeção de julho/26 e de 2,9% em relação à temporada anterior. Dentre os principais produtores, a produção dos Estados Unidos foi reduzida em 0,4% no comparativo mensal e em 22,9% no anual, para 41,656 milhões de toneladas, enquanto a da União Europeia recuou para 134,2 milhões de toneladas. O consumo mundial está projetado em 826,269 milhões de toneladas, praticamente estável frente a julho/26 (+0,01%) e 0,3% acima do estimado para 2025/26. Os estoques finais devem somar 273,252 milhões de toneladas, alta de 0,15% no comparativo mensal, mas queda de 2,5% frente à temporada anterior. Já o comércio internacional está estimado em 214,11 milhões de toneladas, volume 0,2% inferior ao projetado em julho/26 e 5,4% abaixo do registrado em 2025/26. Dentre os principais exportadores, o USDA reduziu as projeções das vendas externas da Rússia, para 46 milhões de toneladas, e da Ucrânia, para 13,5 milhões de toneladas, devido às dificuldades logísticas no Mar Negro.

Em sentido contrário, os embarques do Canadá foram elevados para 28,5 milhões de toneladas, e os do Cazaquistão, para 10 milhões de toneladas. Os preços do trigo em grão estão avançando no Brasil, em meio à restrição de volume no mercado spot e à valorização do dólar frente ao Real. A perspectiva de menor oferta na próxima temporada também reforça as altas. Nos últimos sete dias, no mercado de lotes (negociação entre empresas), os preços têm avanço de 0,61% em Santa Catarina, 0,60% no Rio Grande do Sul e 0,11% no Paraná, mas recuo de 1,25% em São Paulo. No mercado de balcão (preço pago ao produtor), os valores permanecem estáveis nos principais Estados. Nas bolsas americanas, os preços estão em alta, refletindo a redução da projeção de produção de trigo dos Estados Unidos e as preocupações relacionadas ao fluxo de exportações na região do Mar Negro. O contrato Setembro/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra alta de 5,5% nos últimos sete dias, cotado a US$ 6,74 por bushel (US$ 247,93 por tonelada).

Na Bolsa de Kansas, o contrato Setembro/26 do trigo Hard Winter tem aumento de 5,6% no mesmo período, a US$ 7,54 por bushel (US$ 277,14 por tonelada). No campo dos Estados Unidos, até 16 de agosto, 96% da área de trigo de inverno havia sido colhida. Para o trigo de primavera, 41% da área havia sido colhida, e 52% das lavouras apresentavam condições entre boas e excelentes. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, até 12 de agosto, a semeadura atingia 99,6% dos 6,5 milhões de hectares projetados para a safra 2026/27. Quanto à fenologia, 53,5% das lavouras estavam em fase de perfilhamento ou superior, com condições de umidade entre adequadas e ótimas em 86,5% da área. Os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia da Argentina têm avanço de 1,3% nos últimos sete dias, a US$ 242,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.