17/Aug/2026
A Ucrânia pode deixar de ofertar cerca de 9 milhões de toneladas de produtos agrícolas ao mercado internacional entre agosto e outubro de 2026 em razão da forte redução da capacidade logística de escoamento, segundo levantamento do Ukrainian Agribusiness Club. O déficit de embarques tende a se concentrar no período inicial de adaptação às rotas alternativas, com perdas estimadas em 2,9 milhões de toneladas em agosto, 2,8 milhões de toneladas em setembro e 3,3 milhões de toneladas em outubro, quando a entrada da nova safra aumenta a demanda por transporte no campo. A maior parte do volume que pode deixar de ser exportado será composta por grãos, principalmente trigo e milho.
Parte das oleaginosas poderá ser redirecionada com maior rapidez para pontos de transbordo na fronteira ocidental, mas as rotas alternativas não apresentam escala suficiente para substituir, no curto prazo, o transporte marítimo tradicional. Os portos localizados no Rio Danúbio enfrentam limitações relacionadas ao nível dos rios, enquanto o transporte ferroviário encontra gargalos operacionais nas fronteiras. O modal rodoviário, por sua vez, apresenta custos elevados para o transporte de grãos em grande escala, reduzindo a capacidade de compensação da menor disponibilidade de rotas marítimas. A redução temporária dos embarques também deve postergar o ingresso de divisas na Ucrânia. Em um cenário conservador de preços, o valor associado aos embarques adiados é estimado em US$ 1,9 bilhão, podendo alcançar US$ 2,8 bilhões caso as cotações internacionais permaneçam em níveis mais elevados.
A retenção das cargas tende ainda a elevar os estoques internos, aumentar os custos de armazenagem e pressionar a liquidez dos produtores rurais ucranianos. A combinação entre menor capacidade de escoamento, aumento da demanda logística com a entrada da nova safra e dificuldades de utilização das rotas alternativas pode prolongar os efeitos sobre a comercialização agrícola do país. No mercado internacional, a redução temporária da oferta proveniente da região do Mar Negro tende a limitar a disponibilidade de produtos agrícolas e dar suporte aos preços das commodities enquanto persistirem as restrições ao fluxo de exportação da Ucrânia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.