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17/Aug/2026

M.Dias Branco: resultado do 2º trimestre de 2026

A fabricante de alimentos M.Dias Branco apresentou lucro líquido de R$ 168,9 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado é 22,0% menor na comparação com igual período do ano passado, quando a empresa reportou lucro líquido de R$ 216,4 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 284,4 milhões, queda de 17,5% frente aos R$ 344,9 milhões do segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda ficou em 10,5%, ante 12,7% um ano antes, queda de 2,2 pontos porcentuais em relação ao segundo trimestre de 2025. A alavancagem da empresa (relação entre dívida líquida e Ebitda) ficou em posição de caixa líquido de 0,7 vez, ante 0,3 vez em igual período de 2025. Já a receita líquida cedeu 0,9% na mesma base comparativa, alcançando R$ 2,699 bilhões, ante R$ 2,723 bilhões do segundo trimestre do ano passado. O volume comercializado atingiu 477,3 mil toneladas no período, avanço de 4,4%.

No segundo trimestre do ano, a receita líquida de produtos principais da empresa (biscoitos, massas e margarinas) cedeu 1,8%, para R$ 2,088 bilhões, ante R$ 2,127 bilhões na comparação com igual trimestre de 2025. A M.Dias informou, em documento, que a queda na receita do segmento deveu-se, sobretudo, à retração de 1% nos volumes nos mercados de biscoitos e massas e à redução dos preços praticados em massas, em meio a um ambiente de consumo que seguiu pressionado. Ainda assim, a empresa informou que seguiu avançando em participação de mercado na comparação com o ano anterior. A receita líquida do segmento de moagem de trigo e refino de óleos vegetais (farinhas, farelo e gorduras industriais) cedeu 0,7%, para R$ 452,3 milhões. Já o segmento de adjacências (bolos, snacks, misturas para bolos, torradas, saudáveis, molhos e temperos) teve receita líquida 12,4% superior em relação ao segundo trimestre de 2025, de R$ 158,5 milhões.

O preço médio de todas as categorias caiu 5,0% na comparação anual dos trimestres, de R$ 6,00 por quilo para R$ 5,70 por quilo. No último trimestre, a empresa investiu R$ 101,8 milhões, 97,3% mais que em igual intervalo de 2025, quando havia investido R$ 51,6 milhões. Do montante, 74,3% foram para manutenção e 25,7% destinados à expansão. Os principais aportes foram em projetos de modernização e produtividade das operações industriais, com destaque para iniciativas de automação nas fábricas e demais projetos voltados ao aumento da eficiência operacional. A M.Dias Branco encerrou o segundo trimestre de 2026 com maior fatia de mercado em categorias centrais, mesmo diante de um cenário de consumo mais adverso do que o esperado. Em entrevista ao Broadcast Agro, o diretor de Relações com Investidores da companhia, Fábio Cefaly, explicou que a empresa contornou a desaceleração das vendas realizando ações comerciais nas lojas e adequando gastos.

Segundo ele, as vendas de massas e biscoitos se enfraqueceram sobretudo no início do trimestre e nas regiões mais sensíveis a preço, como o Nordeste. Para contornar a retração, a M.Dias promoveu campanhas no varejo que envolveram 7 mil lojas pelo País, além de fazer investimentos no Nordeste com a marca Vitarella e lançar linhas temporárias para os festejos de São João. As iniciativas permitiram que o volume comercializado da marca subisse 4,4% no período, alcançando 477,3 mil toneladas. Apesar da alta nos volumes, a receita líquida cedeu 0,9% no trimestre, para R$ 2,699 bilhões, e o lucro líquido recuou 22,0%, somando R$ 168,9 milhões. O executivo explicou que essa dinâmica refletiu a redução de 5,0% no preço médio dos produtos, puxada pelo repasse do menor custo do trigo para os preços de farinhas e massas aos supermercados.

A categoria de adjacências, que reúne snacks, bolos, torradas e alimentos saudáveis, continuou sendo o destaque positivo da empresa, registrando o oitavo trimestre seguido de crescimento de dois dígitos, com receita 12,4% maior. “É uma aposta de médio e longo prazo que mexe com a estrutura de margens por ter maior valor agregado”, disse Cefaly. Do lado dos custos operacionais, o trimestre foi impactado por dois fatores extraordinários que pressionaram o Ebitda. O primeiro foi a disparada no preço do óleo diesel em função dos conflitos no Oriente Médio, que gerou um custo imprevisto para a companhia de quase R$ 6 milhões na logística. Sobre eventuais repasses para o consumidor, Cefaly afirmou que a medida está em avaliação, mas ponderou que o consumo enfraquecido cria barreiras para aumentos diretos de preço. O segundo fator foi o desembolso não recorrente de R$ 12 milhões para a implementação de projetos que terceirizam e automatizam processos administrativos transacionais. Para readequar a rentabilidade à realidade atual de mercado, Cefaly revelou que a companhia deu início a um plano de eficiência a partir de junho, incluindo a reestruturação no quadro de colaboradores e corte de despesas discricionárias.

A expectativa da gestão é obter um ganho líquido na estrutura de custos e despesas ao longo da segunda metade do ano. De olho no terceiro trimestre, a M.Dias Branco projeta um ambiente de demanda mais estabilizado. Cefaly afirmou que a estratégia para os próximos meses continuará focada no que está ao alcance da gestão. “Não vemos uma piora de mercado, mas também não significa que está melhor do que no ano passado. Mantemos muito foco na execução para trazer os volumes e um grande trabalho na estrutura de despesas”, disse Cefaly. A confiança da empresa para o terceiro trimestre baseia-se na conjunção entre o controle rigoroso de gastos e a sazonalidade favorável do setor no segundo semestre. Historicamente, os trimestres finais do ano apresentam maior volume de vendas para as categorias de massas e biscoitos, o que permite acelerar o faturamento e diluir os custos fixos das fábricas. A M. Dias Branco atribuiu a expansão da margem bruta no segundo trimestre de 2026 à reformulação da estratégia comercial, com foco em ganhos de eficiência na ponta de venda, e ao avanço de categorias de maior valor agregado.

A avaliação foi feita pelo vice-presidente de Investimentos e Controladoria da companhia, Gustavo Theodozio. A reestruturação da área comercial permitiu à empresa registrar o quarto trimestre consecutivo de crescimento em volume e ganho de participação de mercado, superando o cenário adverso de consumo pressionado por juros altos e pelo endividamento das famílias. O executivo destacou que o aumento das vendas de produtos de maior valor agregado, como a linha de adjacências (snacks e itens saudáveis), que cresceu a dois dígitos pelo oitavo trimestre consecutivo, combinado à redução de custos variáveis, compensou o recuo nos preços médios decorrente do alívio nas cotações de commodities. Para os próximos trimestres, Theodozio afirmou que a companhia manterá a busca por eficiência estrutural, com iniciativas voltadas à otimização de despesas administrativas e comerciais (SG&A). Ele ressaltou ainda o aumento dos investimentos em automação industrial e modernização das plantas, sustentado por forte geração de caixa e pela ampliação da posição de caixa líquido da empresa.

A M. Dias Branco avalia que reajustes diretos de preços e a redução do peso das embalagens deixaram de ser alavancas viáveis para a expansão de margens no setor de alimentos. Segundo o executivo, o ambiente de consumo restrito, pressionado por juros altos e pelo endividamento das famílias, limita a capacidade do setor de repassar custos acima da inflação interna sem comprometer a demanda. “Preço deixou de ser uma ferramenta relevante de ganho de margem e expansão de receita”, afirmou Theodozio. Ele acrescentou que a empresa pretende acionar a tabela de preços apenas para recompor custos efetivos de matérias-primas, e não como estratégia deliberada de rentabilidade. Para sustentar o crescimento em um cenário adverso, a fabricante redirecionou o foco para duas frentes: execução comercial na ponta de venda e efeito mix. A empresa vem abandonando o modelo tradicional de negociação, focado apenas no abastecimento do varejista, para atuar, em parceria com grandes clientes, em ações promocionais voltadas ao consumidor final.

Do lado do mix, Theodozio disse que a inovação em linhas regionais de maior valor agregado contribuiu com cerca de 3% para o ganho de preço médio no trimestre. Ele citou a forte aceitação de lançamentos sazonais no Nordeste, para os festejos de São João, e a criação de uma unidade de negócios dedicada às adjacências (snacks e produtos saudáveis), que passou a operar com estrutura e distribuição próprias. Gustavo Theodozio afirmou que a M.Dias Branco já submeteu novas tabelas de preços ao varejo para repassar a recente elevação nos custos do trigo e a depreciação do câmbio. A expectativa da fabricante de alimentos é começar a capturar os primeiros efeitos dos reajustes a partir deste mês. A pressão de custos começou a se refletir nos números em julho, apesar das posições de proteção da empresa. Theodozio destacou que a alta dos preços do trigo no mercado internacional tem sido impulsionada por incertezas climáticas associadas ao El Niño e por gargalos logísticos no Mar Negro, decorrentes de ataques recentes a portos na Rússia e na Ucrânia, que dificultam o escoamento das safras.

O executivo explicou ainda que o tempo de captura dos novos preços varia conforme o perfil do cliente. Enquanto no pequeno varejo a implementação é quase imediata, nas grandes redes de supermercados o protocolo de negociação costuma levar entre 50 e 60 dias. Para monitorar as margens, a companhia mantém uma rotina semanal de precificação em categorias altamente correlacionadas às commodities, como farinhas e margarinas. Em relação ao comportamento do consumidor diante das altas, o vice-presidente ressaltou que a elasticidade da demanda varia entre as categorias. O segmento de massas apresenta alta sensibilidade a preço, no qual qualquer reajuste altera diretamente os volumes vendidos. Já a categoria de biscoitos demonstra menor elasticidade e conseguiu absorver melhor os aumentos de preços implementados tanto pela M.Dias Branco quanto pelos concorrentes nos últimos meses. A queda na receita líquida das categorias principais da M. Dias Branco no acumulado de 12 meses decorreu essencialmente da redução dos preços de massas, motivada pelo repasse do menor custo do trigo, e não de uma mudança estrutural de desconto frente aos concorrentes.

No segundo trimestre, a receita líquida das categorias principais da empresa (biscoitos, massas e margarinas) recuou 1,8%, para R$ 2,088 bilhões, ante R$ 2,127 bilhões em igual período de 2025. O executivo destacou que, enquanto o segmento de biscoitos apresentou avanço simultâneo em volume, preço e mix, a categoria de massas acompanhou a desvalorização da commodity agrícola, em um movimento observado em toda a indústria. Segundo Theodozio, a postura da empresa na precificação frente à média de mercado permaneceu estável nos últimos trimestres, sem indicar uma guerra de preços promovida pela líder do setor. Na categoria de massas, a média de preço da M. Dias Branco em relação ao mercado consolidado encerrou o segundo trimestre em 94%, ante 95% no primeiro trimestre. Ele citou como exceção ajustes pontuais de posicionamento regional, como na Bahia, onde a companhia identificou oportunidade para adequar tabelas. O diretor de relações com investidores da M.Dias Branco, Fabio Cefaly, afirmou que a companhia não prevê alterações imediatas na sua política de proteção financeira para commodities, apesar da recente pressão sobre os preços internacionais do trigo e do óleo de palma.

O executivo explicou que a empresa conta com uma cobertura média de quatro meses de estoque de trigo, considerando o grão armazenado nos silos próprios e os volumes em trânsito vindos do Sul do País ou do exterior. Segundo Cefaly, essa margem de manobra garante tempo hábil para a gestão avaliar o comportamento da concorrência, do varejo e dos consumidores antes de tomar decisões drásticas de repasse ou hedge. Ele lembrou que a flexibilidade da política é revisada mensalmente por um comitê interno de alta gestão. Questionado sobre as despesas operacionais, Cefaly esclareceu que a alta recente de R$ 5,6 milhões nos custos de frete decorreu exclusivamente do encarecimento do óleo diesel nas bombas, que passou de R$ 6,00 para R$ 7,00 por litro com repasse imediato. O executivo descartou a possibilidade de que o aumento de gastos logísticos tenha relação com mudanças nas rotas de distribuição ou entregas em distâncias maiores. Fonte: Broadcast Agro.