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14/Aug/2026

Grãos: perdas na Europa e Mar Negro elevam riscos

As perdas de produção de milho e trigo na Europa e a deterioração da logística no Mar Negro ampliaram os riscos para o mercado global de grãos nas últimas semanas. O cenário se soma às compras recentes de soja norte-americana pela China, às projeções do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e ao avanço do El Niño no segundo semestre. Na União Europeia, ondas sucessivas de calor reduziram as estimativas de produção, enquanto os níveis muito baixos dos rios Reno e Danúbio dificultam o transporte de grãos por barcaças. As restrições logísticas são particularmente relevantes para milho, trigo e canola. Para o milho, as estimativas de produção da União Europeia recuaram para uma faixa entre 48 milhões e 52 milhões de toneladas, ante 59 milhões a 63 milhões de toneladas projetadas no início da temporada. Com a perda do potencial produtivo, a necessidade de importações do bloco é estimada entre 24 milhões e 25 milhões de toneladas.

Na França, apenas 31% das lavouras de milho estão classificadas em condições boas ou excelentes. A produção do país é estimada entre 6,9 milhões e 8,8 milhões de toneladas, ante 13,7 milhões de toneladas no ano passado. No trigo, as projeções para a União Europeia foram reduzidas entre 2 milhões e 4 milhões de toneladas nas últimas semanas, para uma faixa entre 124 milhões e 127 milhões de toneladas. Para a França, as estimativas estão abaixo de 32 milhões de toneladas, enquanto para a Alemanha são de pouco mais de 19 milhões de toneladas, ante 22,6 milhões de toneladas na temporada anterior. O aperto da oferta europeia ocorre simultaneamente à deterioração das condições logísticas no Mar Negro. Nas últimas semanas, ataques de Rússia e Ucrânia atingiram embarcações, portos e estruturas de exportação, aumentando a resistência dos armadores em operar na região. As exportações ucranianas teriam recuado cerca de 75% desde o início de agosto.

Na Rússia, os embarques de trigo em agosto são estimados entre 2,5 milhões e 3,5 milhões de toneladas, ante 4,5 milhões de toneladas em agosto de 2025. Caso confirmado, o volume será o menor para o mês em uma década. A Rússia atingiu os portos ucranianos de Odessa, Mykolaiv, Izmail, Pivdenny e Chornomorsk, enquanto a Ucrânia atacou instalações em Taman, Rostov e Novorossiysk. Os reparos dos danos em Novorossiysk, maior porto russo de águas profundas, podem levar de um a três meses. O impacto imediato é observado no escoamento de grãos. As operações foram reduzidas ou suspensas em alguns terminais, enquanto caminhões e vagões enfrentam dificuldades para chegar aos portos. O frete marítimo na região aumentou entre 1,5 e 2,5 vezes. O principal risco para o mercado é que as dificuldades logísticas evoluam para problemas de produção. Preços internos mais baixos, restrições às exportações e limitações de combustível podem desestimular a colheita em algumas regiões da Rússia. Caso esse cenário se materialize, o impacto deixaria de ser predominantemente logístico e de curto prazo e poderia assumir caráter mais altista para os preços internacionais.

Apesar dos riscos adicionais, as cotações ainda não incorporaram integralmente um cenário de oferta mais restrita. O contrato de trigo para dezembro de 2026 em Paris reagiu após os ataques a Novorossiysk, mas permanecia na faixa de 230 a 235 euros por tonelada, abaixo da máxima recente de 250,5 euros por tonelada. O mercado permanece parcialmente dessensibilizado às notícias geopolíticas e tende a exigir impactos mais concretos sobre oferta e comércio internacional para sustentar movimentos mais fortes de alta. Nesse contexto, a combinação de problemas climáticos na Europa, deterioração logística no Mar Negro, compras chinesas de soja nos Estados Unidos, relatório Wasde, situação no Oriente Médio e avanço do El Niño amplia a incerteza para os mercados de grãos. Na soja, as recentes compras chinesas nos Estados Unidos acrescentam um fator de suporte às cotações. O conjunto desses vetores, e não um único fator isolado, explica a reação observada no mercado nesta semana e mantém elevados os riscos para a formação dos preços internacionais de milho, trigo e soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.