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11/Aug/2026

Preços do trigo estão firmes no mercado doméstico

O volume de trigo importado pelo Brasil aumentou em julho, diante da oferta restrita no mercado spot, sobretudo de lotes de qualidade superior (acima de PH 78). Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume que chegou aos portos brasileiros no mês foi o maior registrado em 2026 até o momento. Além disso, o preço médio do trigo importado em julho ficou abaixo do negociado no mercado nacional, o que aumentou a competitividade do produto internacional, especialmente o de origem argentina. O preço médio nominal do trigo no Rio Grande do Sul foi de US$ 257,61 por tonelada em julho, enquanto o preço médio do cereal que chegou aos portos brasileiros no mesmo mês foi de US$ 241,47 por tonelada. Nesse cenário, os vendedores brasileiros precisaram reduzir os preços de suas ofertas para tentar aumentar a competitividade frente ao trigo internacional. Nos últimos sete dias, no mercado de lotes (negociação entre empresas), os preços registram recuo de 0,82% em São Paulo, 0,76% no Rio Grande do Sul e 0,26% em Santa Catarina. No Paraná, por outro lado, há alta de 0,59%.

No mercado de balcão (preço pago ao produtor), os preços apresentam avanço de 0,56% no Rio Grande do Sul e 0,22% em Santa Catarina, enquanto permanecem praticamente estáveis no Paraná (+0,01%). Conforme dados da Secex, 650,266 mil toneladas de trigo chegaram aos portos brasileiros em julho, o maior volume registrado até o momento em 2026. A quantidade foi 40,2% superior à de junho e 5,5% maior do que a registrada em julho de 2025. Apesar do avanço mensal, as importações acumuladas nos últimos 12 meses somam 6,13 milhões de toneladas, volume ainda 10,1% inferior ao verificado no mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2026 (até julho), foram importadas 3,422 milhões de toneladas, quantidade 18,2% inferior à observada no mesmo período de 2025 e o menor volume dos últimos três anos. Quanto à origem, o trigo argentino segue predominando nas compras brasileiras, representando 72,9% do total importado em julho. A Rússia respondeu por 15%, o Paraguai, por 8,6% e o Uruguai, por 3,4%. O preço médio das importações foi de US$ 241,47 por tonelada e, considerando o dólar médio de R$ 5,11 em julho, o valor equivalente foi de R$ 1.234,64 por tonelada.

Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 31 de julho, 99,9% da área de trigo prevista para a temporada de 2026 já havia sido semeada, restando apenas 3% a serem semeados em Santa Catarina. A colheita, por sua vez, avança em Minas Gerais e em Goiás, representando 2,5% da área de trigo no mercado nacional. No Rio Grande do Sul, conforme dados da Emater-RS, apesar do excesso de umidade no solo decorrente das chuvas, o desenvolvimento das lavouras segue satisfatório em boa parte do Estado. De forma localizada, contudo, foram observados acamamento, erosão hídrica, encharcamento e danos provocados pelo granizo, embora com baixa representatividade na área cultivada. Os contratos futuros registram alta, diante das incertezas relacionadas às exportações de grãos na região do Mar Negro, em meio à tensão entre Rússia e Ucrânia. Conforme relatório da SovEcon, as exportações de trigo da Rússia em julho/26, estimadas em 1,6 milhão de toneladas, foram as menores registradas para o mês desde a safra 2017/18.

Nos últimos sete dias, o contrato Setembro/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago tem alta de 0,1%, a US$ 6,39 por bushel (US$ 235,07 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Setembro/26 do trigo Hard Winter registra avanço 0,9%, a US$ 7,14 por bushel (US$ 262,35 por tonelada). Nos Estados Unidos, até o dia 2 de agosto, 86% da área de trigo de inverno já havia sido colhida, avanço de 5% em relação à semana anterior, em linha com o registrado no mesmo período de 2025 e com a média dos últimos cinco anos. Para o trigo de primavera, 55% das lavouras apresentavam condições entre boas e excelentes, e 5% já haviam sido colhidas. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, até 5 de agosto, a semeadura atingia 99% dos 6,5 milhões de hectares projetados para a safra 2026/27. Quanto à fenologia, 44,2% da área está em transição da fase de perfilhamento para a adulta, com parcelas mais avançadas ao norte, onde 97% dos cereais estão em condição normal a excelente. Quanto aos preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia da Argentina, há desvalorização de 1,2% nos últimos sete dias, a US$ 239,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.