11/Aug/2026
Os moinhos de trigo do Paraná já aplicaram reajustes de 5% a 7% nos preços da farinha e projetam repasse adicional de pelo menos 10% nos próximos 90 dias, em meio ao aumento dos custos operacionais e à redução da disponibilidade de matéria-prima. O cenário comprime as margens da indústria moageira e amplia a necessidade de importação de trigo para garantir o abastecimento interno. Entre os principais fatores de pressão sobre os custos estão o aumento do frete rodoviário, superior a 20% conforme a tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), além da elevação dos fretes marítimos, seguros e embalagens, influenciada pelos conflitos no Mar Negro e no Oriente Médio. A alta do preço do trigo sem repasse correspondente para a farinha reduz a rentabilidade dos moinhos.
Outro fator de pressão é a desvalorização do farelo de trigo, coproduto que representa 25% da moagem. O produto enfrenta maior concorrência do milho 2ª safra e dos resíduos de destilação de milho (DDG), reduzindo a receita obtida pelos moinhos com a comercialização do coproduto e adicionando um componente estrutural à composição de custos da atividade. A oferta de matéria-prima também tende a se tornar mais restrita no Paraná na safra 2026/27. A produção estadual está projetada em 2,2 milhões de toneladas, enquanto a demanda de moagem é estimada em 3,85 milhões de toneladas pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).
O Paraná responde por cerca de 30% da produção nacional de farinha e poderá registrar déficit de abastecimento de aproximadamente 1,6 milhão de toneladas, o maior de sua série histórica. A menor produção está relacionada ao desestímulo ao cultivo de trigo. A área plantada no Estado deve recuar 13,5%, para 740 mil hectares. O potencial produtivo estadual é projetado em queda de 21%, enquanto a produtividade média deve diminuir 9,5%, em razão do menor uso de fertilizantes e da redução dos investimentos em manejo do solo. O acesso ao crédito também permanece restrito, aumentando a pressão financeira sobre cooperativas, cerealistas e empresas do agronegócio. O risco climático acrescenta incerteza ao cenário de abastecimento.
A eventual confirmação de condições de El Niño sobre a Região Sul do Brasil e a Argentina durante os períodos de floração e colheita pode afetar o volume e a qualidade dos grãos. O risco é especialmente relevante para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com possibilidade de impactos adicionais sobre a disponibilidade de trigo para abastecimento interno. Com a menor oferta doméstica, a necessidade de importação tende a aumentar em um momento de matéria-prima mais cara. A Argentina projeta produção de cerca de 20 milhões de toneladas, mas a qualidade do trigo argentino também gera preocupação, principalmente em relação ao teor de proteína e de glúten úmido, devido ao menor uso de fertilizantes nitrogenados. O cenário reforça a dependência do mercado externo para garantir o abastecimento de trigo e a oferta de farinha ao consumidor brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.