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06/Aug/2026

El Niño pode elevar importações brasileiras de trigo

Segundo a CJ International Brazil, o fenômeno climático El Niño pode elevar as importações brasileiras de trigo na safra 2026/27 para acima do patamar tradicional de 6,5 milhões a 7 milhões de toneladas, caso os impactos sobre a qualidade das lavouras da Região Sul se confirmem. A preocupação está concentrada principalmente no excesso de chuvas durante o período de maior desenvolvimento das lavouras no Rio Grande do Sul e no Paraná. Condições climáticas adversas entre agosto e novembro podem aumentar a ocorrência de problemas sanitários e reduzir a qualidade dos grãos, direcionando parte da produção apenas para alimentação animal. Com uma eventual queda na oferta de trigo de qualidade para panificação, a indústria moageira brasileira teria de ampliar as compras externas para garantir o abastecimento do mercado interno.

O Brasil mantém dependência estrutural das importações porque o consumo nacional supera a produção doméstica. No mercado internacional, a expectativa é de menor participação de fornecedores de fora do Mercosul, diante da projeção de uma safra argentina de 21,6 milhões de toneladas e potencial exportador superior a 15 milhões de toneladas. A qualidade do trigo argentino será um fator determinante para a formação dos preços no Brasil. Caso a Argentina entregue trigo com teor de proteína próximo de 11,5%, patamar próximo do ideal para produção de pão, estimado em 12%, a oferta argentina tende a ganhar espaço no mercado brasileiro e pressionar as cotações internas. Até novembro, os produtores brasileiros devem contar com uma janela de comercialização antes da entrada mais intensa do trigo argentino. Além do cenário climático, a indústria moageira já ajusta suas estratégias de abastecimento para o segundo semestre.

Moinhos do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Norte e Nordeste receberam lotes de trigo russo com 12,5% de proteína adquiridos em junho, antes do aumento das tensões geopolíticas no Mar Negro em julho. A partir de agosto, essas unidades também devem receber trigo argentino com menor teor proteico, entre 10,5% e 11%, destinado à composição de misturas. Para o mercado interno, a expectativa é de pressão de custos nas regiões mais dependentes de importações, como as Região Norte e Nordeste, Rio de Janeiro e Espírito Santo, embora a valorização do Real frente ao dólar possa limitar parte do impacto. Em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e na Região Sul, a entrada da safra nacional tende a aliviar as cotações, mas os preços dependerão do prêmio pago pelo trigo brasileiro de alta qualidade, com proteína superior a 12%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.