04/Aug/2026
Os preços do trigo no Paraná voltaram aos patamares observados em agosto de 2025, em termos reais, refletindo a restrição da oferta disponível no mercado spot. Diante da necessidade de recompor estoques, os compradores elevam gradualmente suas ofertas em busca de lotes de melhor qualidade. No entanto, os vendedores seguem com disponibilidade limitada de trigo da safra 2025, mantendo as negociações pontuais. Em julho, o preço médio do trigo no Paraná foi de R$ 1.390,71 por tonelada, o maior valor real (IGP-DI de junho/26) desde agosto/25, com avanço de 1,4% em relação a junho/26, mas ainda 9,2% abaixo do registrado em julho/25, também em termos reais. No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.317,13 por tonelada, quedas de 0,6% frente a junho/26 e de 3,6% na comparação anual. Em São Paulo, a média atingiu R$ 1.516,06 por tonelada, alta de 0,4% no comparativo mensal, mas retração de 2,4% em relação a julho/25. Em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.350,32 por tonelada, aumento de 2,5% no mês, embora ainda 9,6% inferior ao de julho/25.
Além da restrição de oferta, a última semana de julho foi marcada pelos primeiros reflexos do fenômeno El Niño, com elevado volume de chuvas e ventos intensos, deixando triticultores em alerta na Região Sul do Brasil. Esse cenário contribuiu para a elevação dos preços, principalmente no mercado de balcão no Paraná. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade provocou erosão do solo em algumas regiões e acamamento de lavouras, conforme informações da Emater-RS. As precipitações também dificultaram a realização dos tratos culturais ao longo da semana. Apesar disso, os preços no Estado permanecem praticamente estáveis, refletindo a dificuldade de compradores e vendedores em chegar a um consenso quanto aos valores. Nos últimos sete dias, o preço do trigo no mercado de balcão (preço pago ao produtor) registra expressiva alta de 5,53% no Paraná e aumento de 0,74% em Santa Catarina, mas recuou de 0,12% no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociação entre empresas), os valores têm alta de 0,99% em Santa Catarina, 0,78% no Paraná e 0,11% no Rio Grande do Sul, enquanto apresentam queda de 0,28% em São Paulo.
Nas bolsas norte-americanas, os preços do trigo recuaram na última semana de julho, pressionados pela realização de lucros após as fortes altas registradas anteriormente. O contrato Setembro/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra baixa de 5,7% nos últimos sete dias, a US$ 6,39 por bushel (US$ 234,88 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o vencimento Setembro/26 do trigo Hard Winter registra recuo de 5,1% no mesmo comparativo, a US$ 7,07 por bushel (US$ 259,96 por tonelada). Na comparação mensal, entretanto, o cenário foi de forte valorização, influenciada principalmente pelo aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia e pelas preocupações com as condições climáticas adversas nos Estados Unidos e na Europa. Assim, em julho/26, a média do primeiro vencimento na Bolsa de Chicago foi de US$ 6,47 por bushel (US$ 238,03 por tonelada), avanços de 9,9% frente a junho/26 e de 20% em relação a julho/25. Na Bolsa de Kansas, a média alcançou US$ 6,95 por bushel (US$ 255,54 por tonelada), elevações de 10,7% no comparativo mensal e de 34% no comparativo anual.
Nos Estados Unidos, até o dia 26 de julho, 81% da área de trigo de inverno já havia sido colhida, avanço de 7% em relação à semana anterior e 2% acima do registrado no mesmo período de 2025 e da média dos últimos cinco anos. Para o trigo de primavera, 53% das lavouras apresentavam condições entre boas e excelentes, e a colheita alcançou 2% da área dos seis principais Estados produtores. Na Argentina, a semeadura avançou lentamente na última semana devido às dificuldades de acesso das máquinas às lavouras, provocadas pelo excesso de umidade e pela saturação do solo, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Até 29 de julho, os trabalhos atingiam 98,4% dos 6,5 milhões de hectares projetados para a safra 2026/27. Os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia da Argentina registram valorização de 2,1% nos últimos sete dias, a US$ 242,00 por tonelada. Na média mensal de julho, contudo, a cotação foi de US$ 231,62 por tonelada, queda de 1,6% frente a junho/26 e leve recuo de 0,1% em relação a julho/25. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.