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28/Jul/2026

Preços do trigo em alta e comercialização pontual

O agravamento das tensões entre Rússia e Ucrânia, somado às preocupações climáticas em importantes regiões produtoras na Europa e nos Estados Unidos, elevou as cotações internacionais do trigo nos últimos dias, e o contrato Setembro/26 na Bolsa de Chicago chegou a superar US$ 7,00 por bushel. No Brasil, por outro lado, a comercialização permanece lenta, em cenário típico de entressafra, com oferta restrita da temporada passada, moinhos abastecidos e produtores cautelosos nas negociações antecipadas da nova safra. Os futuros do trigo acumularam forte valorização em parte da semana passada, sobretudo diante do agravamento das tensões entre Rússia e Ucrânia. O conflito ampliou as preocupações com a oferta global, ao afetar a infraestrutura portuária ucraniana e restringir as operações nos terminais russos do Mar de Azov, em meio ao fechamento do tráfego comercial pelo Estreito de Kerch, importante corredor para as exportações russas de trigo.

Nesse contexto, o contrato Setembro/26 do trigo Soft Red Winter chegou a atingir US$ 7,05 por bushel no dia 22 de julho, o maior patamar desde o início de sua negociação. Além dos riscos geopolíticos, o clima quente e seco nas Grandes Planícies do norte dos Estados Unidos e as ondas de calor em partes da Europa dão suporte às cotações. Após a escalada, movimentos de realização de lucros pressionaram esse contrato, que registram recuo de 0,7% nos últimos sete dias, a US$ 6,78 por bushel (US$ 249,12 por tonelada). Ainda assim, na média da parcial de julho, as cotações estão 9,4% acima das de junho, a US$ 6,45 por bushel, o maior patamar desde junho/24. Na Bolsa de Kansas, o contrato de mesmo vencimento do trigo Hard Winter tem avanço de 1,8% nos últimos sete dias, para US$ 7,45 por bushel (US$ 273,83 por tonelada). Na média de julho, a cotação está 9,41% acima da de junho, a US$ 6,87 por bushel, a maior desde junho/24. Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia têm alta de 2,6% nos últimos sete dias, para US$ 237,00 por tonelada. Na comparação entre as médias mensais, a baixa é de 2,41% nesta parcial de julho frente a junho.

No Brasil, a comercialização de trigo permanece lenta, refletindo o período de entressafra. A oferta da temporada passada está cada vez mais restrita, enquanto moinhos indicam que estão praticamente abastecidos até a entrada da próxima safra, o que mantém os negócios pontuais. Ao mesmo tempo, os produtores seguem cautelosos quanto à comercialização antecipada da nova temporada, sobretudo diante das incertezas sobre o potencial produtivo e a qualidade dos grãos. Nesse cenário, a atenção de agentes permanece voltada às condições climáticas e à evolução das lavouras na Região Sul do País. Nos últimos sete dias, o valor do trigo no mercado de balcão (preço pago ao produtor) registra avanço de 1,14% em Santa Catarina, 0,70% no Paraná e 0,05% no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as apresentam valorização de 0,74% no Paraná e 0,30% no Rio Grande do Sul, mas recuo de 0,62% em Santa Catarina e 0,34% em São Paulo.

De acordo com informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 97,4% das lavouras de trigo do País haviam sido semeadas até 17 de julho, com avanço de 2,7% na semana. Em relação ao mesmo período de 2025, o avanço é de 0,5%. A semeadura alcançava 99% da área no Paraná, 97% no Rio Grande do Sul e 77,4% em Santa Catarina também até o dia 17 de julho. A colheita em Goiás e em Minas Gerais alcançou, respectivamente, 40% e 5% das áreas. No agregado nacional, 1,3% da área havia sido colhida, 1,1% inferior ao observado no mesmo período do ano anterior. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a semeadura havia alcançado 97,7% dos 6,5 milhões de hectares projetados até o dia 23 de julho, avanço de 5,7% na semana. Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que, até 19 de julho, 74% das lavouras de trigo de inverno haviam sido colhidas, acima dos 72% registrados no mesmo período de 2025 e dos 71% da média dos últimos cinco anos (2021-2025). Na safra de primavera, 53% das lavouras foram classificadas como boas ou excelentes, 35%, como regulares e 12%, como ruins ou muito ruins. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.