07/Jul/2026
O mercado spot de trigo segue com baixa liquidez, devido principalmente à oferta restrita do cereal nesta época do ano. Moageiras indicam estar abastecidas e sem necessidade de adquirir grandes volumes no curto prazo, priorizando negociações de lotes da safra nova, com entrega prevista entre setembro e outubro de 2026. Os vendedores que ainda dispõem de volumes, sobretudo no estado de São Paulo, onde a disponibilidade é mais escassa, buscam negociar a preços mais elevados, sustentando as cotações no Estado. Nos últimos sete dias, os preços no mercado de balcão (preço pago ao produtor) registram avanço de 0,67% em Santa Catarina e 0,32% no Rio Grande do Sul, mas permanecem estáveis no Paraná. No mercado de lotes (negociações entre empresas), enquanto os preços têm alta em São Paulo (+1,97%) e no Paraná (+0,56%), refletindo a oferta restrita, no Rio Grande do Sul há recuo de 1%, devido à menor demanda de compradores de farinha de trigo. Em Santa Catarina, as cotações permanecem estáveis.
Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura de trigo no Brasil está em fase de finalização. Até 26 de junho, 87,3% da área destinada à safra de 2026 havia sido semeada. Restavam apenas os três Estados da Região Sul, cujas atividades alcançaram 93% no Paraná, 85% no Rio Grande do Sul e 28,8% em Santa Catarina. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), no Paraná, até 29 de junho, 85% das lavouras estavam em desenvolvimento vegetativo, 8%, em floração e 7%, em germinação, com bom desenvolvimento nas diferentes fases. Entretanto, o excesso de umidade e a ocorrência de geadas podem elevar o risco de doenças e provocar impactos pontuais em algumas regiões. No Rio Grande do Sul, de acordo com a Emater-RS, as lavouras estão integralmente entre as fases de germinação e de desenvolvimento vegetativo e apresentam boa evolução, embora persistam restrições pontuais em algumas localidades, em razão das chuvas. Conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), chegaram aos portos brasileiros 463,63 mil toneladas de trigo em junho, volume 21,9% inferior ao de maio e 2,8% abaixo do registrado em junho de 2025.
Nos últimos 12 meses, as importações somam 6,096 milhões de toneladas, 11% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2026, até junho, foram importadas 2,772 milhões de toneladas, quantidade 22,3% inferior à observada no mesmo período de 2025. Quanto à origem do trigo importado, 70,4% vieram da Argentina, 15,1%, da Rússia, 11,6%, do Paraguai e 2,8%, do Uruguai. O preço médio das importações foi de US$ 236,97 por tonelada. Considerando-se o dólar médio de R$ 5,132 em junho, o valor equivalente é de R$ 1.216,13 por tonelada. Os preços internacionais do trigo estão em alta, sobretudo após a divulgação, em 30 de junho, dos relatórios de área plantada e de estoques trimestrais pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), cujas estimativas ficaram abaixo das expectativas do mercado.
As novas projeções indicam área plantada de 17,3 milhões de hectares na safra 2026 dos Estados Unidos, redução de 5,7% em relação ao ano anterior, o que reflete os longos períodos de seca que prejudicaram as lavouras. Os estoques trimestrais de trigo em 1º de junho totalizaram 25,04 milhões de toneladas, volume inferior ao esperado pelos agentes, embora 8% superior ao da temporada anterior. Nesse contexto, o contrato Jul/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago, registra avanço de 2,1% nos últimos sete dias, a US$ 5,90 por bushel (US$ 216,97 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Jul/26 do trigo Hard Winter apresenta valorização de 2,6% no mesmo período, a US$ 6,27 por bushel (US$ 230,38 por tonelada). Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia registram recuo de 1,7% nos últimos sete dias, a US$ 227,00 por tonelada. No campo, até 1º de julho, a semeadura havia alcançado 80,9% dos 6,5 milhões de hectares projetados para a safra 2026/27, segundo dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.