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30/Jun/2026

Preços do trigo sustentados por restrições na oferta

Os preços do trigo em grão seguem em recuperação no mercado doméstico em junho, cenário que vem ocorrendo desde fevereiro deste ano, ainda sustentados pela oferta restrita no mercado spot. Os produtores que têm estoques retêm o produto, à espera de oportunidades melhores de comercialização. Moinhos com necessidade de reposição, por sua vez, têm cedido às ofertas mais altas de venda. Em junho, o preço médio do trigo no Paraná é de R$ 1.371,12 por tonelada, avanço de 1,4% em relação a maio, mas ainda 13% inferior ao registrado em junho de 2025, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI). No Rio Grande do Sul, a média atinge R$ 1.324,79 por tonelada, alta de 1,9% frente ao mês anterior, mas recuo de 6,1% na comparação anual. Em São Paulo, o preço médio foi de R$ 1.508,04 por tonelada, elevação de 2,8% no comparativo mensal, mas queda de 5,6% em relação a junho do ano passado. Em Santa Catarina, a média é de R$ 1.313,46 por tonelada, aumento de 2,1% frente a maio, mas retração de 14,4% na comparação anual.

Nos últimos sete dias, especificamente, os preços apresentam comportamentos distintos dentre as regiões. No mercado de balcão (preço pago ao produtor), as cotações permanecem praticamente estáveis no Paraná e em Santa Catarina, enquanto avançam 0,89% no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociação entre empresas), há recuos de 1,66% em São Paulo, de 0,47% no Paraná e de 0,08% no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, onde a oferta segue mais restrita, os preços têm alta de 0,43% no mesmo período. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 19 de junho, 74,3% da área prevista para a temporada de 2026 já havia sido semeada. Dentre os Estados que ainda realizam essa atividade, restavam 16% da área a ser implantada no Paraná, 37%, no Rio Grande do Sul e 76,1%, em Santa Catarina. A colheita se iniciou no Cerrado, com 25% da área de Goiás já colhida, o que corresponde a 0,7% da produção nacional. No Rio Grande do Sul, a Emater-RS divulgou as primeiras estimativas para a safra de 2026.

A área cultivada está projetada em 814,22 mil hectares, retração de 30,2% em relação a 2025. A produtividade deve recuar 9%, para 2,701 toneladas por hectare, enquanto a produção está estimada em 2,2 milhões de toneladas, queda de 36,4%. Segundo a Emater, a redução da área decorre da menor rentabilidade da cultura, dos elevados custos de produção, das restrições de crédito e do maior risco climático nesta temporada. Nos Estados Unidos, os preços futuros são pressionados pelo rápido avanço da colheita do trigo de inverno. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até 21 de junho, 40% das lavouras já haviam sido colhidas, avanço de 15% em relação à semana anterior. Além disso, as previsões de chuvas no norte das Grandes Planícies, importante produtora de trigo de primavera, também pressionam as cotações. Para o trigo de primavera, o USDA indicou que 16% das lavouras já haviam perfilhado e que 54% estavam classificadas entre boas e excelentes, percentual semelhante ao observado no mesmo período do ano passado.

Nesse contexto, o contrato Julho/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra recuo de 4,5% nos últimos sete dias, cotado a US$ 5,78 por bushel (US$ 212,47 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Julho/26 do trigo Hard Winter registra queda de 5,1% no mesmo período, a US$ 6,11 por bushel (US$ 224,50 por tonelada). Na parcial de junho, o primeiro vencimento negociado na Bolsa de Chicago apresenta média de US$ 5,91 por bushel (US$ 217,20 por tonelada), desvalorização de 6,9% frente a maio, mas alta de 9,3% em relação a junho de 2025. Na Bolsa de Kansas, a média do mesmo vencimento é de US$ 6,30 por bushel (US$ 231,64 por tonelada), retração de 7,8% no comparativo mensal; porém, com avanço de 17,5% no comparativo anual. Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia registam recuo de 2,1% nos últimos sete dias, cotado a US$ 231,00 por tonelada. Apesar disso, na média de junho, o valor é de US$ 235,74 por tonelada, altas de 0,86% frente a maio e de 0,92% em relação a junho de 2025. No campo, conforme dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, haviam sido implantados 65,8% dos 6,5 milhões de hectares projetados para a temporada 2026/27 até 24 de junho. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.