25/Jun/2026
A segunda onda de calor que atinge a Europa aumenta os riscos para as lavouras de milho e trigo do continente, especialmente em áreas sem irrigação, mas a ampla disponibilidade de grãos oriundos da região do Mar Negro continua limitando uma reação mais intensa das cotações internacionais. A avaliação é de que o mercado permanece dividido entre os riscos climáticos na Europa Ocidental e a elevada oferta exportável de países concorrentes. No milho, a maior parte das lavouras europeias encontra-se entre os estágios de seis e oito folhas, período anterior à polinização. Embora o estresse térmico ainda não ocorra na fase mais crítica para definição do potencial produtivo, as áreas sem irrigação apresentam maior vulnerabilidade às temperaturas elevadas. As perdas de produtividade nessas lavouras podem alcançar até 15%, em um contexto em que a área cultivada com milho na Europa já é inferior à registrada no ano anterior.
Apesar das preocupações, ainda existe potencial de recuperação parcial das plantas caso as temperaturas recuem e ocorram precipitações nos próximos dias. Esse cenário contribuiu para uma reação limitada dos preços. Além disso, movimentos de realização de lucros e ajustes de posições por fundos de investimento reduziram o impacto climático sobre as cotações, resultando em recuo do milho mesmo durante a intensificação da onda de calor. No mercado de trigo, os efeitos climáticos já começam a aparecer nas estimativas de produção. A safra da França, principal produtora da União Europeia, pode ficar entre 31 milhões e 32 milhões de toneladas, abaixo das projeções anteriores de 33 milhões a 34 milhões de toneladas. Alemanha e Polônia também permanecem sob monitoramento devido ao estágio menos avançado de desenvolvimento das lavouras, o que amplia a exposição ao calor.
Ainda assim, 76% das lavouras francesas apresentavam condição boa ou excelente na última avaliação, acima dos 68% observados no mesmo período do ano anterior. As preocupações com a produção sustentaram os preços do trigo negociado na Euronext, que avançaram de aproximadamente 200 euros por tonelada há três semanas para a faixa de 207 a 208 euros por tonelada. No entanto, a valorização reduz a competitividade do cereal europeu justamente em um momento de expansão da oferta no Mar Negro. A Romênia caminha para uma safra recorde de 13,86 milhões de toneladas, acima dos 13 milhões de toneladas colhidos no ano anterior. Na Rússia, as projeções variam entre 85 milhões e 93 milhões de toneladas, com estimativa de 88,9 milhões de toneladas. As exportações russas de trigo em junho são estimadas entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas, superando os 1,3 milhão de toneladas embarcados no mesmo mês do ano passado, favorecidas pela ausência de imposto de exportação e pela necessidade de abertura de espaço para a nova safra. Na Ucrânia, as perspectivas de produção também melhoraram.
As estimativas atuais apontam safra entre 23,5 milhões e 24,5 milhões de toneladas, acima das projeções anteriores de 21 milhões a 22,8 milhões de toneladas. Mesmo diante de desafios logísticos e aumento de 30% nas tarifas ferroviárias, a maior disponibilidade do cereal amplia a concorrência no mercado internacional. O cenário atual mantém os mercados de grãos sob influência de forças opostas. De um lado, o calor na Europa reduz o potencial produtivo e oferece sustentação aos preços. De outro, a forte oferta exportável de Rússia, Romênia e Ucrânia amplia a concorrência global e limita movimentos mais expressivos de valorização, especialmente no trigo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.