23/Jun/2026
Os preços do trigo em grão seguem em alta na maior parte das regiões. As negociações estão pontuais, refletindo a menor disponibilidade do cereal no mercado spot. Além disso, agentes permanecem atentos às condições climáticas para a safra 2026/27, especialmente na Região Sul do País, onde a perspectiva de maior volume de chuvas ao longo do ciclo pode comprometer a qualidade dos grãos. Esse cenário mantém compradores e vendedores cautelosos, o que também contribui para a sustentação dos preços domésticos. Nos últimos sete dias, os preços no mercado de balcão (preço pago ao produtor) apresentam avanço de 0,33% em Santa Catarina, 0,32% no Paraná e 0,05% no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociação entre empresas), há aumentos de 1,87% no Rio Grande do Sul, de 1,65% em Santa Catarina e de 1,54% em São Paulo. No Paraná, por outro lado, a cotação tem leve recuo (-0,24%), diante das boas condições das lavouras implementadas até o momento.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 12 de junho, 59,5% da área destinada ao trigo na safra 2026 já havia sido semeada no Brasil. Os trabalhos já estavam concluídos em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em Goiás, a semeadura atingia 99% da área prevista; no Paraná, 78%; na Bahia, 60%; no Rio Grande do Sul, 36%; e em Santa Catarina, 7,3%. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) informa que a umidade do solo permanece adequada em todo o Estado e que a alternância entre períodos de sol e de chuva favorece o desenvolvimento da cultura. Ainda assim, persistem preocupações quanto à possível intensificação do El Niño nos próximos meses. A semeadura alcança 84% dos 722 mil hectares previstos para esta temporada. No Rio Grande do Sul, dados da Emater-RS indicam que a semeadura avança de forma heterogênea entre as regiões, dependendo das condições hídricas locais. As estimativas de área ainda estão em levantamento.
Em Santa Catarina, a Epagri/Cepa apresentou as estimativas iniciais para a safra 2026/27, apontando forte redução na área cultivada. A área destinada ao trigo deve totalizar 76,2 mil hectares, queda de 27,1% em relação à temporada 2025/26. A produtividade média é estimada em 3,563 toneladas por hectare, recuo de 2,8% em relação à safra anterior. Com isso, a produção deve atingir 271,46 mil toneladas, expressiva retração de 29,1%. Nas bolsas norte-americanas, os preços do trigo registram, mesmo diante da melhora das condições das lavouras nos Estados Unidos. O movimento está associado principalmente à cobertura de posições vendidas pelos investidores. Conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até 14 de junho, 25% das áreas de trigo de inverno haviam sido colhidas. Quanto às condições das lavouras, 27% eram classificadas como boas ou excelentes, avanço de 2% percentuais em relação à semana anterior.
Para o trigo de primavera, 95% das lavouras já haviam emergido e 6%, perfilhado. Em relação à qualidade, 55% das áreas eram avaliadas entre boas e excelentes, ante 57% no mesmo período do ano passado. O contrato Julho/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago tem alta de 3,6% nos últimos sete dias, cotado a US$ 6,05 por bushel (US$ 222,57 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Julho/26 do trigo Hard Winter apresenta avanço de 1,5%, cotado a US$ 6,44 por bushel (US$ 236,63 por tonelada). Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia registram alta de 0,4% nos últimos sete dias, a US$ 236,00 por tonelada. No campo, segundo dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, até 17 de junho, 57,6% da área prevista para a safra 2026/27 já havia sido semeada. A projeção de área foi mantida em 6,5 milhões de hectares. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.